Mau cheiro do caso Master-BRB contamina tudo a seu redor, por José Natal

Escândalo de verdade, com repercussão nacional, que incomode, mexa com a bolsa, cotação do dólar e leve a Federal a prender caciques de madrugada, tem que passar por Brasília para ser autêntico de verdade.

Se não for assim desconfie, pode ser fake. Com sinais de que ainda vai durar o tempo para que seja de vez esclarecido, (se é que será), o caso sinistro envolvendo o extinto Banco Master e o já desmoralizado Banco Regional de Brasília, a cada dia ganha novos ingredientes.

Nenhum deles que aponte qualquer indicativo consistente de que por ali passaram (ou ainda passam) gestores acima de qualquer suspeita, ou que não desperte em todas as entidades interessadas elevado índice de desconfiança, ou incredibilidade profissional.

Até aos menos atentos e interessados em saber detalhes dessa arapuca política-econômica mal arranjada pelo nefasto Daniel Vorcaro, e as cabeças premiadas do GDF (Governo do Distrito Federal), impossível não dar a esse caso nebuloso a chancela de ser, talvez, um dos que mais abalou (e ainda abala) as estruturas do poder.

Seguindo uma rotina que mais parece um roteiro de série de TV, com capítulos semanais, o processo avança arrebanhando novas denúncias, revelações arrepiantes e a cada dia comprometendo autoridades de todas as patentes. Dois episódios marcaram a semana, cada um deles com graus de intensidades diferentes, mas ambos gerando consequências que arremetem a resultados imprevisíveis.

Numa votação com todos os elementos da chamada chapa branca de apoio político, para alguns o conhecido rabo preso, 14 deputados distritais de Brasília votaram a favor da decisão do Governo local, que sugere a venda de prédios e terrenos públicos valorizados, e que faça uso do dinheiro para cobrir rombos deixados pelo BRB, após a malfadada operação clandestina com o Banco Master.

Dez distritais votaram contra a medida, inclusive alguns ligados a partidos encabrestados ao Governador Ibaneis Rocha. Já desgastado, mas ainda resistente, Ibaneis, contrariado, demitiu servidores que serviam a seu governo, indicados pelos distritais que foram contra a votação. A medida causou revolta, pouco levada em conta, como era de se esperar.

A volta de Vorcaro a prisão, agora com requintes hollywoodianas, acontece depois que áudios capturados do celular do banqueiro foram revelados pela Polícia Federal, interpretados como comprometedores pelo Ministro relator do processo, André Mendonça.

Mendonça, ao contrário do que analisa a Procuradoria Geral República, decidiu não esperar possíveis consequências desagradáveis e de pronto mandou encarcerar Vorcaro por tempo indeterminado.

Além da estratosférica quantia em dinheiro que está por detrás dessa teia, que envolve caciques famosos de todas as tribos, o cenário agora ganha uma ilustração pra lá de perigosa, com ameaças de agressões físicas, espancamentos e chantagens de cunho emocional.

Áudios e prints obtidos pela PF registram ameaças veladas ao jornalista Lauro Jardim, do Grupo Globo, um dos profissionais de comunicação mais respeitados no País, cuja carreira e procedimento ético jamais foram contestados.

Ao Lauro, confirma a PF, prometeram dentes quebrados e outras escoriações, caso insista em divulgar vilanias e arruaças por ele apuradas, e devidamente confirmadas.

Como se fosse uma telenovela, exibida em rede nacional, e tendo Brasília como cidade cenográfica, a trama diabólica escrita para o caso Master-BRB não economiza em exibir personagens peçonhentos, a cada semana revelando um vilão diferente, e raramente encantando a platéia que suspira por um rostinho amigo e confiável.

Um elenco aparentemente bem remunerado, que sem nenhum constrangimento está sempre apto a decorar o script. Diante de tanta baixaria, revelada aos poucos e surpreendendo muitos, podem até reduzir as críticas aos participantes do Big Brother Brasil.

Ali, pelo menos, ninguém se esconde nem se preocupa em negar o que realmente quer e deseja. Esperar verdades absolutas no caso Master se equivale a torcer pelo jacaré em filme de Tarzan.

José Natal
Jornalista

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