Universalização do saneamento pode gerar R$ 178 bilhões em ganhos sociais na Bahia

A universalização do saneamento básico na Bahia pode gerar R$ 178,1 bilhões em ganhos sociais no longo prazo, segundo o estudo “Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento na Bahia”, do Instituto Trata Brasil em parceria com a EX ANTE Consultoria. A meta é cumprir o prazo de 2040 previsto no Marco Legal do Saneamento.

Para a fase de universalização, entre 2025 e 2040, a projeção é de R$ 163,4 bilhões em benefícios,  sendo R$ 112,036 bilhões de benefícios diretos e cerca de R$ 51,348 bilhões devido à redução de perdas associadas às externalidades. Os custos devem somar R$ 76 bilhões, com saldo positivo estimado em R$ 87,3 bilhões. 

Impactos esperados

Os impactos incluem aumento de renda do trabalho, com ganho de R$ 39,4 bilhões, que resultará num ganho anual de R$ 2,468 bilhões;  economia na saúde (R$ 1,18 bilhão, ganho anual de R$ 73,892 milhões); ganhos no turismo (R$ 6 bilhões, com fluxo médio anual de R$ 376,667 milhões); e valorização imobiliária (R$ 4,6 bilhões, com ganho anual de R$ 290,797 milhões).

Entre 2025 e 2040, o valor presente dos investimentos em saneamento nos municípios da Bahia deve alcançar R$ 55,907 bilhões. Esses investimentos devem gerar R$ 73,162 bilhões em renda direta, indireta e induzida, o que representa um excedente aproximado de R$ 17,256 bilhões ao longo do período.

Pós-universalização

Após 2040, os ganhos de renda são estimados em R$ 79,1 bilhões, enquanto os custos para manter a universalização devem somar cerca de R$ 51,2 bilhões.

Com isso, além do saldo positivo previsto até 2040, o estado ainda acumularia um ganho permanente estimado em R$ 90,7 bilhões. No total, os benefícios sociais podem alcançar R$ 178,1 bilhões.

A projeção indica que, a cada R$ 1 investido em saneamento a partir de 2024, as 417 cidades baianas podem obter retorno social de R$ 3,70 — próximo da média nacional estimada em R$ 4,10.

Situação atual do saneamento

Atualmente, o estado ainda enfrenta um déficit significativo. Em 2024, 2,8 milhões de pessoas não tinham acesso à água tratada, o equivalente a 19,2% da população. Outras 8,6 milhões vivem sem coleta de esgoto, o que representa 58,4% dos baianos. Apenas 47% do esgoto gerado é tratado, enquanto 780 milhões de litros são despejados diariamente sem tratamento.

Apesar dos desafios, o estudo aponta avanços nas últimas duas décadas. Entre 2005 e 2024, os benefícios econômicos associados à expansão do saneamento somaram R$ 156,9 bilhões, frente a custos sociais estimados em R$ 87,1 bilhões, gerando saldo positivo de R$ 69,8 bilhões.

No período de 2000 a 2022, 3,4 milhões de pessoas passaram a ter acesso à água tratada e 3,1 milhões passaram a contar com coleta de esgoto. O número de moradias sem banheiro caiu de 3,1 milhões para 182 mil.

Nas regiões intermediárias da Bahia, com exceção de Salvador (76,5%), o indicador de tratamento de esgoto é inferior às médias nacional e estadual. Os maiores déficits de tratamento concentram-se em Irecê, onde apenas 10,2% do esgoto gerado recebe tratamento, além de Paulo Afonso (16,7%), Santo Antônio de Jesus (21,2%), Guanambi (25,7%) e Feira de Santana (28,6%).

 

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Ana Júlia Silva

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