Por José Natal *
Se a maratona de Paracatu (MG) a Brasília, percorrendo a distância de 240 km, liderada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL), alcançou ou não o que tinha como objetivo, ainda não há fatos concretos que comprovem.
A jornada (Acorda Brasil), com as pessoas caminhando pela estrada, carregando bandeiras, cartazes e implorando anistia aos envolvidos no movimento de 8 de janeiro de 2023, de resultado prático e definitivo até agora apenas foi contemplado com uma baita tempestade a céu aberto próximo ao Memorial JK em Brasília, dezenas de pessoas machucadas por um raio fulminante e impiedoso e escoriações políticas generalizadas, até hoje questionadas por alguns abraçados a Jesus, e outros sendo julgados por Marias e Josés.
Nikolas é polêmico, pertubador para muitos. Arruaceiro, para outros. Dentro dos planos que traçou para levar a vida até que manda bem. Ora chuta o balde sem medir consequências, vez por outra esparrama vilanias, confunde liderança com porraloquices, e segue em frente.
O futuro de tudo isso é quase previsivel, mas está dentro do que pede a cartilha, onde a política do vale tudo, vale tudo mesmo. No auge de seus 29 anos, e já carregando na bagagem argumentos como se tivesse mais de 30, Nikolas, ou sem querer ou mesmo querendo, sinaliza que poderá ser uma pedra no sapato de Flávio Bolsonaro, no limiar de sua campanha, aparentemente sólida como algumas taças e sorvete sob o Sol de Cuiabá.
Não há informações seguras de que alguma aliança entre Nikolas Ferreira e Michelle Bolsonaro tenha sido formalmente estabelecida. Mas nem é preciso que para isso haja cunho oficial, ou registro em cartório. Segredo entre políticos em época de campanha resiste apenas alguns minutos, ou segundos talvez.
As ações, gestos e posições adotadas por Nikolas e Michelle, e ainda de políticos ao redor dos dois, estampam situações bem distantes daquilo que o momento de incentivo seria o esperado, e necessário. Resvala no amadorismo e na ingenuidade política, as insistentes e frágeis insinuações de que reina paz e harmonia, onde são claros os sinais de discórdia e atritos sobre como agir, além de visivel desconforto quanto ao relacionamento pessoal.
Como é sabido, e já por algumas vezes tenha vindo a público sem ninguém ficar ruborizado, o freio de arrumação para que a jornada do indicado de Bolsonaro a presidência, por mais de uma vez já foi acionado.
Quem está acompanhando esse processo sabe disso, e muitos deles fazem cara de paisagem e acreditam ser esses desarranjos fatos naturais, apostando no habitual “coisas de campanha” que o tempo corrige. Aliados mais cascudos, e de alguma forma também interessados na colheita que esse “plantio” pode render já emitem sinais de alerta.
Waldemar Costa Neto, presidente do PL, palpiteiro inseguro e desacraditado pelos pares, atua borocratimente na periferia da candidatura, geralmente ou quase sempre, a reboque das decisões de Jair Bolsonaro, que mesmo aprisionado ainda é, e será de fato o único a decidir sobre os rumos a seguir. Para o leitor e aqueles habituados as essas trovoadas constantes a sensação que fica é que, se no começo havia incertezas, ainda estão começando. Dos Estados Unidos, falastrão e inútil como sempre foi o filho mimado de Bolsonaro atira pedras e esbraveja.
Mas suas ações são pífias, e o resultado como sempre é zero. Amoitado no Palácio do Governo em São Paulo, Tarcísio de Freitas, sempre apostando nos caos gerado pela nau dos insensatos, evita palpitar, e torce em silêncio para que essas rusgas bolsonaristas se agravem.
Quem sabe venha daí a esperada retomada de seu nome como o preferido entre pelo menos dez pessoas do partido. Duvide quem quiser, mas a verdade é essa. Soldado míope não pode nunca ser o cozinheiro do quartel. Haverá sempre o risco de que um dia ele frite uma granada ao invés de um ovo.
José Natal
Jornalista

