A expansão da conectividade em áreas rurais, pequenas cidades e longos trechos de rodovias federais deve ganhar novo impulso com o edital publicado pelo Ministério das Comunicações e pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O leilão, previsto para abril, estima investimentos de R$ 2 bilhões e pode beneficiar cerca de 1,2 milhão de pessoas em 864 localidades ainda com cobertura precária.
No Nordeste, a medida tem impacto estratégico. Parte relevante dos trechos contemplados corta a região e conecta polos urbanos a áreas agrícolas, portos e zonas de turismo. A proposta prevê cobertura em até 6,5 mil quilômetros de estradas hoje sem sinal adequado.
Entre elas está a BR-101, que percorre praticamente todo o litoral nordestino , do Rio Grande do Norte à Bahia, ligando capitais como Natal, João Pessoa, Recife, Maceió, Aracaju e Salvador. A meta é garantir 100% de cobertura até 2026.
Também entram no projeto a BR-116, importante eixo de integração entre o Nordeste e o Sudeste; a BR-135, que atravessa o Maranhão e conecta áreas do Matopiba; e a BR-242, fundamental para o escoamento da produção agrícola no interior da Bahia. Fora da região, mas igualmente estratégicas para cadeias logísticas nacionais, estão a BR-163 e a BR-364.
Por que essa faixa é estratégica
A licitação envolve uma faixa de frequência que permite maior alcance de sinal e melhor penetração em ambientes internos. Em termos práticos, isso significa que o sinal de internet e telefonia pode cobrir áreas mais extensas com menos torres e chegar com mais qualidade a casas, escolas, hospitais e prédios públicos , uma vantagem decisiva em regiões rurais e municípios de menor porte.
Além de reforçar o 4G, a medida amplia o alcance do 5G, reduzindo custos de infraestrutura e acelerando a interiorização da conectividade.
Para o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, a iniciativa tem foco social e econômico. “O objetivo é garantir que mais brasileiros tenham acesso à comunicação, aos serviços digitais do gov.br e às oportunidades que a internet oferece”, afirmou.
Modelo prioriza investimento, não arrecadação
O edital, aprovado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), adota um formato diferente de leilões anteriores. Em vez de priorizar arrecadação para o governo federal, a maior parte do valor pago pelas operadoras será convertida em investimentos obrigatórios em infraestrutura.
A faixa será dividida em blocos regionais, com limite de aquisição por empresa. O processo ocorrerá em três etapas, começando por operadoras regionais e, ao final, aberto a qualquer interessada.

