Por José Natal*
Devidamente paramentada para o que muitos chamam de “guerra” eleitoral, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro arregaça as mangas e se diz pronta para todo e qualquer embate, e não escolhe inimigos.
Talvez a palavra inimigos tenha uma conotação meio pesada, vamos trocar por adversários antipáticos. Fora de sua lista de aliados, barrados no baile, digamos assim.
Dessa lista, talvez já na primeira fila, fazem parte um ou dois filhos do ex-presidente, o líder de seu partido
(PL) Waldemar Costa Neto e quem sabe uma meia dúzia de parlamentares que leem a mesma cartilha, nada simpáticos às preferências pessoais e eleitorais de Michelle.
Como presidente do PL (Partido Liberal) feminino, empoderada e esbajando liberdade de ação, a ex-primeira dama muito cedo fez questão de demostrar a todos (e a todas) que a sua presença na liderança do partido não era decorativa.
Sem dificuldades, convenceu a todos seu poder de liderança, afiou as garras e sem dar bola para a torcida foi a luta. Manifestou seu mau humor em relação a indicação de Flávio Bolsonaro como candidato a Presidência da República e de forma isolada e silenciosa, de público apontou Tarcísio de Freitas como melhor candidato e deu pouca atenção aos manifestos de repúdio a seus atos vindos de supostos aliados.
O gesto corajoso ao vetar regalias e flores perfumadas a Ciro Gomes, no Ceará, foi a cereja no bolo que precisava para limitar terreno, e sinalizar que podem acusá-la de tudo, menos de não ter coragem para o embate que se avizinha.
Também foi a primeira a manifestar repúdio ao tratamento dado aos evangélicos e a Bolsonaro no desfile da Sapucaí pela escola de Samba Acadêmicos de Niterói. Até onde seus argumentos são válidos, ou levados em conta ninguém sabe, mas eles aconteceram, de público e escancarados. Encastelados, e como sempre se abrigando nos protocolos burocráticos e políticos partidários que a rejeitam se omitem, em silêncio.
A luz da razão, o fato é que o tempo político não para, os fatos acontecem e os protocolos da eleição avançam, saltam barreiras. Embora ainda verde, e talvez, ainda imatura numa carreira que poucas mulheres são aceitas pelo universo masculino, a ex-primeira dama aceita desafios e encara com disposição a cara feia de desafetos, ignora o amontoado de fatos que desabonam seu passado e segue em frente.
Seu último gesto, desautorizando Flávio Bolsonaro a determinar qual seu destino político nas próximas eleições, atesta e confirma sua independência para definir o que fará quanto ao futuro.
Seria ingenuidade, e precipitação, apontar como certo um caminho de vitórias e superação de Michelle Bolsonaro, ou mesmo se suas anunciadas investidas políticas de fato acontecerão.
O que o seu partido (PL), seus aliados e aqueles entulhos bolsonaristas que a perseguem e dela tiram o sono deveriam fazer, era admitir que sua força junto aos evangélicos é real, seu carisma arrebanha votos e ignorá-la, além de preconceito, é burrice.
Como também seria burrice (e será) perder tempo dando voz ao inútil Eduardo Bolsonaro, sem mandato e provocador, ou atiçar a ira barulhenta do pastor Malafaia, que fala muito e em nada colabora para que os futuro político ao redor de sua tribo sinalize alguma chance de sucesso. Eleição é coisa séria, e com seriedade deve ser tratada.
*José Natal é Jornalista
Artigos e opiniões publicados no site da revista NORDESTE são de responsabilidade de seus autores

