Muito cedo ainda para qualquer resposta, apenas perguntas no ar. Com o processo investigativo ainda em curso, o pantanoso caso da anunciada compra do Banco Master pelo Banco Regional de Brasília, até agora, já causou estragos e gerou faíscas incendiárias com danos de difícil recuperação aos atingidos.
Numa primeira etapa, ou fase inicial como quer alguns, esfarelou a credibilidade política do Governador de Brasília, Ibaneis Rocha, abrindo feridas imensas na jornada otimista do político, de olho na eleição de sua sucessora Celina Leão ao Palácio do Buriti. Na mesma esteira, e quase com a mesma intensidade, o caso abriu ferida danosa entre o Ministro Dias Toffoli e seus colegas do Supremo Tribunal Federal.
Como relator do processo, Toffoli fez restrições absurdas a condução do trabalho, gerou dúvidas na corte e teve seu nome relacionado
a transações financeiras que levantaram suspeitas. Pressionado, renunciou à função de relator e passou o bastão a André Mendonça, Ministro indicado por Bolsonaro ao STM.
Agilizando o processo, Mendonça anuncia conversas com a Polícia Federal e promete seriedade e isenção na nova fase de investigação. Longe de qualquer coisa parecida com bom senso, não há registro no histórico de debates jurídicos do Brasil caso tão recheado de circunstâncias pitorescas, tratado com extrema preocupação e a cada momento anunciando ingredientes que alteram decisões já anunciadas.
A gigantesca movimentação financeira, que abasteceu e irrigou toda essa fantástica operação, aos olhos da lei sob suspeita, desperta singular atenção da comunidade pelo envolvimento de pessoas ilustres e poderosas em vários seguimentos da nossa sociedade.
Ainda com muitas informações sob sigilo e sendo avaliadas, fácil deduzir que o universo pesquisado com a luneta da justiça por certo exigirá o já famoso “cortar na própria pele”, tal o volume de evidências que elevam o grau de envolvimento de cabeças coroadas nessa trama mal arrumada.
Desnecessário entrar nas minúcias do processo, tomar tempo e cansar o cidadão, listando números e cifras ou nomes de quem aplicou o golpe, ou foi golpeado. Na verdade, a comunidade como um todo, é a única verdadeiramente atingida, quase que esbofeteada sem rodeios por um sem número de farsantes, que rindo da nossa cara quem sabe ainda aposte no tradicional deixa como está pra ver como é que fica.
Para o cidadão comum, a sociedade como um todo, o caso Master, guardadas as devidas proporções, faz lembrar antigas séries de tv ou clássicos premiados do cinema. Na memória dos mais antigos, vez por outra, surgem figuras como a do advogado Perry Mason, criminalista, interpretado pelo ator Raymond Burr, que nas décadas de 50 e 60 encantavam o público e alunos dos cursos de direito, verbalizando conhecimentos nos tribunais de justiça. Eliot Ness, agente federal na figura do ator Kevin Costner, intocável e habilidoso, era determinado na ação rigorosa contra o crime.
Saudosismo à parte, qualquer comparação com a ficção de ontem e a realidade de hoje há pouca diferença, com alguma tendência favorável ao passado. Por mais que amadureça e se inspire em acontecimentos similares do passado, é difícil registrar um só ano em que episódios desse porte não aconteçam no Brasil.
Na crença popular, o caso Master ainda vai gerar muitas manchetes de jornais, muitas denúncias e poucas prisões, e por certo acordos e acertos entre políticos e governantes, assim é e assim será. Vale lembrar que em data recente, o índice de Percepção da Corrupção (IPC) apontou o Brasil na 107 posição, entre 185 países avaliados, feito que nos afasta de qualquer chance que nos indique as disputas por medalhas de prata, ouro ou bronze.
Ainda há muito que fazer para que deixemos de vez de ocupar cenários tão desconfortáveis, nada promissores. Na torcida para que surja um novo Arthur Conan Doyle e invente um novo Sherlock Holmes que investigue, com sabedoria, por que sempre tem que ser assim. Ufa…
José Natal
Jornalista

