Nesta primeira coluna, vamos falar de um tema da ordem do dia, colocado pelos governadores da região durante a Assembleia Geral do Consórcio Nordeste, realizada na última quinta-feira (5/2), em Maceió, ocasião que o governador de Alagoas, Paulo Dantas, novo presidente do Consórcio, compartilhou a entrega da Carta de Maceió, a qual reforça o compromisso coletivo do Nordeste com a agenda climática nacional, integrando sustentabilidade e inovação territorial
A Carta de Maceió e o recado político do Nordeste sobre clima
A Carta de Maceió, aprovada na primeira Assembleia Geral de 2026 do Consórcio Nordeste, não é apenas mais um documento institucional. Ela ajuda a entender como os governadores da região estão reorganizando prioridades diante da crise climática. Ao colocar o combate à desertificação e à degradação ambiental no centro da agenda, o Nordeste sinaliza que o tema deixou de ser só ambiental, virou assunto de desenvolvimento.
A Caatinga entra na conta
Quando a carta destaca a proteção da Caatinga, o movimento é claro: o bioma deixa de aparecer apenas como área ameaçada e passa a ser tratado como ativo estratégico. É uma mudança de discurso relevante. Fala-se de biodiversidade, ciência, bioeconomia e inovação produtiva. Preservar, aqui, aparece como forma de criar valor.
Por que falar em COP 18 agora?
A defesa de uma candidatura brasileira para sediar, no Nordeste, a COP 18 de Combate à Desertificação, em 2028, vai além do simbolismo. Colocar o semiárido no centro de uma agenda global significa disputar recursos, cooperação técnica e protagonismo político. É também uma forma de influenciar decisões, e não apenas reagir a elas.
Estiagem como realidade, não como exceção
O alerta sobre a estiagem prolongada traz o debate para o presente. Impacta o abastecimento de água, a produção agrícola e a segurança alimentar. A mobilização do Comitê Científico do Consórcio aponta para um reconhecimento necessário: respostas improvisadas custam caro. Coordenação entre União, estados e municípios deixa de ser retórica e vira condição básica.
Nosso ponto de vista
A Carta de Maceió mostra um Nordeste que tenta sair da posição defensiva diante da crise climática. O discurso está bem colocado e a ambição é clara. O teste real começa agora: transformar consenso político em políticas executáveis, com metas, financiamento e impacto mensurável no território.
A ambição é correta; a urgência, maior ainda. Eis o recado.
*Luciana Leão é jornalista e editora-adjunta da revista NORDESTE

