Previsto para entrar em operação no fim de maio, o Terminal Logístico de Iguatu (TLI) nasce como um dos projetos mais estratégicos da nova fase da Transnordestina no Ceará. Primeiro terminal privado em construção na malha ferroviária no estado, o empreendimento aposta em um modelo de negócios inovador, que vai além do simples transbordo de cargas e posiciona o terminal como operador logístico completo, com atuação também na comercialização de produtos.
Enquanto a Transnordestina Logística S.A. (TLSA), responsável pela ferrovia, oferece aos clientes a possibilidade de contratar vagões individuais, o terminal de Iguatu segue outro caminho. A estratégia do diretor e sócio do empreendimento, Eugério Queiroz, é transformar o TLI em um elo ativo da cadeia logística. “Vamos fazer o transporte, a logística e, também, a comercialização”, afirma.
Essa proposta amplia o papel tradicional dos terminais intermodais e cria novas possibilidades de acesso ao modal ferroviário, especialmente para empresas de menor porte. Ao atuar em diferentes frentes, o TLI contribui para reduzir custos de produção, estabilizar a oferta de produtos e reforçar a viabilidade econômica da ferrovia.
Quatro modelos de atuação
Segundo Queiroz, o funcionamento do terminal se organiza a partir de quatro modelos operacionais, definidos conforme a relação entre o cliente, a TLSA e o próprio terminal. Em cada um deles, o TLI assume um papel distinto: Prestador de serviços, recebendo e descarregando trens de carga; Gestor da cadeia logística, oferecendo, além do transbordo, o transporte rodoviário até o destino final; Parceiro de infraestrutura, com oferta de áreas de armazenagem; Fornecedor, adquirindo cargas para revenda direta no mercado local.
“A Transnordestina pode firmar contrato com uma grande empresa e armazenar a carga no nosso terminal, pagando pelo transbordo, enquanto nós fazemos a logística final. Em outros casos, a própria Transnordestina pode realizar a chamada perna rodoviária até o destino do produto”, explica o diretor.
Logística sob medida
Com essa atuação multifacetada, o terminal passa a operar com um verdadeiro cardápio de serviços, cobrando conforme o tipo de operação , seja pelo transbordo, pela armazenagem ou pela entrega final. O modelo reduz barreiras de entrada e permite que empresas que demandam apenas um vagão também sejam atendidas.
“Nós podemos trazer um vagão para a empresa X, outro para a empresa Y, fazer a cobrança do frete ou receber da Transnordestina pelo transbordo e pela armazenagem”, detalha Queiroz. A retirada da carga pode ser feita diretamente no terminal ou por meio da entrega rodoviária, que, segundo ele, deve se tornar o principal serviço do empreendimento. “Vai ser o carro-chefe.”
Estoque
Ao assumir a logística da última milha, o Terminal Logístico de Iguatu passa a atuar também como regulador de estoque. Em momentos de escassez de grãos, por exemplo, o próprio terminal poderá utilizar sua inteligência logística para trazer cargas e abastecer o mercado cearense.
Esse formato também beneficia pequenos e médios produtores da região, que passam a contar com o terminal como fornecedor, aproveitando o menor custo do frete ferroviário. “O propósito é um só: mudar a configuração econômica de Iguatu, da região e do estado”, resume Queiroz.
Viabilidade e expansão
Iniciado em 2024, o empreendimento já tem contrato com a TLSA para movimentar cerca de 20 mil toneladas mensais de grãos e farelo. A expectativa é de uma redução de até 30% no custo do frete, o que representa, segundo o diretor, cerca de R$ 5 por saca de 60 quilos.
A médio prazo, o terminal pretende ampliar sua atuação para outras mercadorias, como minérios, fertilizantes, contêineres e combustíveis. A proximidade com a região do Matopiba é considerada estratégica, especialmente para o abastecimento de etanol no Ceará.
“Pelos estudos de viabilidade, é possível trazer etanol do sul do Piauí e do sul do Maranhão a um custo menor do que o atual, já que hoje o produto chega ao Ceará vindo do Sudeste e do Centro-Oeste”, observa.
O que está previsto pela TLSA
A Transnordestina prevê a instalação de nove terminais intermodais e um porto seco ao longo de sua malha. Sete dessas estruturas serão operadas diretamente pela TLSA, enquanto outras duas e o porto seco ficarão sob responsabilidade de parceiros privados, como o terminal de Iguatu.
Mesmo integrados à ferrovia, esses empreendimentos têm liberdade para customizar serviços e atender às demandas locais, respeitando as diferentes vocações produtivas dos estados nordestinos. Com a entrada em operação dos terminais e a consolidação das parcerias privadas, a Transnordestina avança para se tornar uma nova espinha dorsal logística do Nordeste, conectando áreas produtoras, centros de consumo e o Porto do Pecém, com impacto direto na competitividade regional.

