Setor de ventilação, ar condicionado e refrigeração no Brasil teve faturamento da ordem de R$ 50,15 bilhões em 2025

Dados são de relatório divulgado pela ABRAVA. E apontam que a expectativa para 2026 é de que o número possa ser ampliado para R$ 55,62 bilhões até dezembro

O setor de Aquecimento, Ventilação, Ar Condicionado e Refrigeração no Brasil (mais conhecido como setor AVACR) teve um faturamento da ordem de R$ 50,15 bilhões em 2025 e perspectiva de aumentar esse volume em mais R$ 5 bilhões, chegando a R$ 55,62 bilhões de faturamento até o final de 2026.

Os dados são de balanço divulgado pela Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-condicionado, Ventilação e Aquecimento — ABRAVA.

De um modo geral, o faturamento do segmento AVACR cresceu no Brasil em 10% em 2025. Mas o setor que mais se destacou foi o de instalação e manutenção dos aparelhos, que cresceu 20,7% em relação a 2024.

O de ar condicionado (fabricante) apresentou aumento de 10% do faturamento; seguido do setor de comércio dos aparelhos do segmento, com aumento de 8,6%. Enquanto o setor de projetistas e consultores cresceu 8% e o de refrigeração comercial e industrial apresentou crescimento de 4,4%.

O resultado do relatório foi divulgado durante a 7ª edição do Evento intitulado ‘ABRAVA de Portas Abertas’, que é realizado pela entidade desde 2020 com representantes do setor.

Conforme explicou o diretor de economia da ABRAVA, Toríbio Rolon, a associação estima um crescimento orgânico de 10% nos próximos cinco ou 10 anos deste segmento da economia.

Expectativas elevadas

As expectativas para faturamento de 2026 também estão relativamente elevadas setorialmente. De todas as áreas que compõem a cadeia deste segmento da economia, a que se espera em termos de maior taxa contínua é a de instalação e manutenção de aparelhos, com expectativa de seguir a tendência de 2025 e crescer 19,8% até o final do ano.

Para o comércio, a expectativa é de crescimento de 16%. Para o ar condicionado (fabricante), a expectativa é de crescimento de 9,3%.

Também é boa a expectativa para o setor de refrigeração comercial (indústria), que tende a ter ampliação de cerca de 8,8% de faturamento este ano. Os percentuais menos otimistas são os da área dos ‘projetistas’, mesmo assim com expectativa de crescimento de 3,5% em relação ao ano de 2025.

No quesito produção, teve destaque o crescimento que vem sendo observado na fabricação de aparelhos de ar condicionado no país (splits) desde 2023 até 2025. Para se ter ideia, em 2023 foram produzidos 3.816 milhões de aparelhos. Em 2024 o número subiu para 5.912 milhões de aparelhos e no ano passado, para 6.385 milhões.

Impactos externos

Uma avaliação mais aprofundada dos dados levantados aponta que a elevação dos custos de produção, que foram fortes em 2024, continuaram altos em 2025, mas um pouco menores, o que apresentou impacto positivo sobre o segmento.

Além disso, a forte desvalorização do real em relação ao dólar em 2024 foi parcialmente revertida em 2025, reduzindo os custos dos insumos.

Fatores conjunturais e geopolíticos geraram incertezas sobre commodities, como foi o caso do preço do cobre, por exemplo, tido como essencial para o setor AVACR.

A avaliação de todos esses itens leva, conforme análise de diretores da ABRAVA, à expectativa de que apesar da tendência positiva, as previsões para os custos dos insumos em 2026 ainda sejam incertas. Isto, em função da complexa geopolítica internacional e, também, de questões como as eleições presidenciais no Brasil, que podem impactar em variações no mercado.

Mesmo assim, a previsão é de bons resultados para o setor e, embora seja esperada uma desaceleração em 2026, o consumo das famílias deve continuar alto, principalmente devido às baixas taxas de desemprego no país.

Fortalecimento de conexões

O encontro _ABRAVA de Portas Abertas_ também tem como objetivo fortalecer conexões, apresentar iniciativas institucionais, além de perspectivas e oportunidades do setor AVACR — nomenclatura que define toda a cadeia produtiva, industrial, comercial e de serviços que atua na climatização de ambientes, conforto térmico e conservação de produtos por meio do controle de temperatura — para o ano de 2026.

Segundo esse levantamento, embora a base de 2024 tenha sido bastante alta, 2025 conseguiu preservar, em certa medida, esse ritmo. A menor ocorrência de variações climáticas externas também influenciou os resultados do ano.

Índice de confiança

Tanto é assim que o otimismo no setor é mais alto em relação às próprias empresas do que em relação à situação econômica do país. Em 2025, por exemplo, o nível de confiança dos brasileiros em relação às empresas do setor AVACR ficou em 58,6, enquanto a mesma expectativa em relação ao Brasil de um modo geral, ficou em 50,9.

Já a expectativa para 2026 é de que o nível de confiança dos brasileiros em relação às empresas do setor AVACR fique em 60,2, enquanto o nível de confiança em relação ao Brasil como um todo fique em 52,5. O que reflete uma melhoria na percepção das pessoas em relação às empresas e ao Brasil. Porém, bem maior em relação ao segmento AVACR do que em relação à economia brasileira.

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Walter Santos

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