Uma pesquisa divulgada pelo Serasa revela que a pontualidade média de pagamentos pessoais da população caiu 82,7% no 2º trimestre de 2025, contra 85,2% no mesmo período em 2024. De acordo com o consultor financeiro, Renan Diego, a situação é um sintoma decorrente da falta de planejamento de renda mensal da população.
“A falta de organização financeira vira uma bola de neve: começa nos gastos básicos, avança para as contas mensais e termina na incapacidade de pagar financiamentos. O empréstimo até parece uma solução, mas pode virar um problema maior com o tempo”, explica Renan.
Norte e Nordeste lideram retrações
Esse movimento se reflete de forma generalizada em todas as regiões do país na comparação anual. As maiores retrações foram registradas no Norte e no Nordeste, com recuos de 4,0 pontos percentuais e 3,8 pontos percentuais, respectivamente.
Já o Sudeste apresentou maior resiliência, com a menor queda do período, de 1,6 ponto percentual, mantendo o índice em 83,7%.
Para o consultor, o problema vai além do atraso pontual. “O que muitas pessoas esquecem é que o dinheiro quita uma dívida, mas ele não resolve o problema, já que a causa raiz daquele débito não foi solucionada. O endividamento se torna um ciclo vicioso”, ressalta.
A avaliação é reforçada por levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), que mostra que 84,75% das negativações registradas em dezembro de 2025 foram de devedores reincidentes, ou seja, consumidores que já tinham aparecido no cadastro de inadimplentes nos últimos 12 meses.
Juros altos dificultam a quitação de dívidas
Renan avalia que o cenário atual é resultado da dificuldade financeira enfrentada pelos brasileiros nos últimos meses, marcada pelo aperto no orçamento das famílias, pela manutenção de juros elevados e pelo aumento do custo de vida, sem que as rendas mensais consigam acompanhar todas as despesas.
Para o consultor financeiro, há várias formas de manter um planejamento financeiro eficaz e que evite recorrer ao empréstimo. Uma das principais estratégias é evitar assumir novas dívidas, especialmente se já existem parcelas que comprometem uma grande parte da renda.
Outro passo essencial é fazer o corte de gastos desnecessários do orçamento mensal. Para conseguir fazer essa avaliação, é preciso fazer uma revisão minuciosa de todas as despesas, já que em momentos de crise, o ideal é direcionar o dinheiro para o que realmente é essencial.

