Bolsonaro se livra de Tarcísio. Lula comemora, por José Natal

Por José Natal *

Constrangido e visivelmente desconfortável, Tarcísio de Freitas, Governador de São Paulo, após visita de quase duas horas ao ex-presidente Jair Bolsonaro no presídio da Papudinha, em Brasília, disse aos jornalistas que será candidato à reeleição ao cargo nas eleições de outubro próximo.

Evitou entrar em detalhes sobre a conversa que teve com o ex-presidente, e optou em agradecer a população de São Paulo que o acolheu como governante, e que ainda espera merecer o apoio para continuar no cargo. Sem entusiasmo, disse também que atuará com determinação em apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

O encontro de Tarcísio e Bolsonaro, esperado pelo mundo político e tendo como pano de fundo a sucessão presidencial, de um lado não causou surpresas. Mas de outro, mesmo que neguem, acelerou decepções. Seguidores e aliados de Tarcísio de Freitas, sem cerimônias, escancaram a preferência pelo nome do Governador, apontado por eles como o único capaz de oferecer alguma resistência nas urnas ao favoritismo do petista Luis Inácio Lula da Silva.

Nessa lista de apoio a Freitas, com certeza estão os nomes Ciro Nogueira, Waldemar da Costa Neto, Pastor Malafaia e um punhado de outros que lêem a mesma cartilha, devidamente referendada pela ex-primeira dama Michelle Bolsonaro, desprestigiada pela família do marido. Para eles, às vezes com sinais visíveis de aborrecimento, Tarcísio de Freitas reúne melhores condições de competição nas urnas.

Citam, por exemplo, maior densidade e liderança no maior colégio eleitoral do país (São Paulo), passado político sem evidentes comprometimentos jurídicos que mereçam explicações e, caso necessário, possíveis apoios financeiros a campanha, uma vez estar em São Paulo a sede e base funcional de alguns aliados abastados. Em volta de toda essa movimentação, como sempre acontece às vésperas de campanhas eleitorais, fatos e movimentos políticos paralelos atiçam e levantam questões relacionadas aos candidatos.

Como é de conhecimento público, e muitas vezes explicitado em todos os ambientes políticos do País, o Governador de São Paulo nunca escondeu seu desejo e vontade declarada de se candidatar à Presidência da República. E a todos também nunca deixou de se apresentar como fiel escudeiro do ex-presidente, a quem sempre manifestou apreço, quase um serviçal.

Para o presidente do PSD, Gilberto Kassab, que também é integrante do Governo paulista, as manifestações de apoio de Tarcísio a Bolsonaro devem ser devidamente dosadas, de forma que não pareça submissa. “Fidelidade política e amizade é uma coisa, submissão é outra coisa”, disse Kassab em entrevista recente.

Habilidoso com as palavras e com respeitável bagagem política, Kassab trafega com leveza em todas as correntes partidárias, o que dá a ele robusta credencial e absoluta isenção ao opinar ou orientar candidaturas.

Para o líder do PSD ainda é cedo para que se trace qualquer prognóstico sobre essa opção de Bolsonaro pela escolha de Flávio. Mas, em relação a Tarcísio, o político acha que ele precisa buscar uma posição que demonstre sua independência e capacidade de liderança.

Analistas, políticos mais próximos e aliados que de alguma forma acompanham de perto todo processo que resultou na indicação e Flávio Bolsonaro como candidato, não hesitam em considerar a decisão ainda gelatinosa, nada consistente.

Com a possibilidade que a direita apoie ainda as candidaturas de Ratinho Júnior e Romeu Zema a corrida presidencial também abastece a lista de preocupações que incomodam, e causa desconforto a aqueles que apostam em Flávio Bolsonaro. Ao que parece, Ronaldo Caiado já está fora dessa disputa, o que já está sendo considerado um estorvo a menos.

José Natal é jornalista
*As opiniões publicadas no site da RNE são de responsabilidade de seus autores
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