O Copom manteve a Selic em 15%, mas o comunicado veio com uma sinalização bem mais nítida sobre o próximo passo. A frase que resume o documento é: “o Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião”.
Na avaliação de José Áureo Viana, economista, assessor e sócio da Blue3 Investimentos, ao mesmo tempo, faz questão de reforçar o limite dessa abertura ao dizer que “manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”. Na prática, março entra como cenário-base, mas condicionado aos dados, segundo Viana.
O texto também deixa claro que, quando o ciclo começar, tende a ser gradual. O Copom afirma que “o compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo”, ou seja, o mercado pode até discutir o tamanho do primeiro corte, mas o Banco Central quer evitar a leitura de que isso vira um “piloto automático”, pontua o especialista em análise enviada ao site da revista NORDESTE.
“Um detalhe importante para essa interpretação é a mudança de tom em relação aos comunicados anteriores, com a retirada de uma linguagem mais rígida sobre juros elevados por muito tempo, o que reforça a leitura de abertura, sem abandonar cautela”, acrescenta.
Para a próxima reunião, a expectativa que se forma a partir do próprio texto é de corte, com o debate ficando mais concentrado entre 0,25 p.p. e 0,50 p.p., a depender de como inflação, expectativas e atividade confirmem o cenário até lá.
O economista entende que o Copom deu um passo à frente na sinalização, mas deixou igualmente claro que o ritmo será decidido reunião a reunião.
“A partir daqui, o comunicado tende a deslocar o foco do mercado do “se” para o “como” do ciclo de cortes, e isso normalmente aparece primeiro na curva de juros, com fechamento de prêmios se os próximos dados confirmarem o cenário descrito pelo Copom”.

