Lula e Xi falam por telefone e defendem aprofundamento de laços Brasil-China em cenário global turbulento

Presidente chinês pede que os dois países “fiquem do lado certo da história” e protejam interesses do Sul Global

Xi Jinping (à esq.) e Lula (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

247 – O presidente da China, Xi Jinping, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversaram por telefone e afirmaram a disposição de aprofundar os laços bilaterais, projetando unidade num momento de forte tensão geopolítica internacional. As informações foram publicadas pela Bloomberg e repercutidas pela agência estatal chinesa Xinhua, que divulgou o relato oficial do diálogo.

 

Segundo a Xinhua, Xi apresentou China e Brasil como forças de estabilização diante de um ambiente global que descreveu como turbulento. Ele também pediu que as duas nações defendam os interesses do Sul Global e resguardem o papel central das Nações Unidas, num recado que se insere na disputa de narrativas sobre a reorganização da ordem mundial sob o impacto da política externa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

China e Brasil como “forças estabilizadoras” e defesa do Sul Global

De acordo com o relato divulgado pela Xinhua, Xi afirmou que China e Brasil devem agir de forma coordenada para enfrentar um cenário internacional mais instável, posicionando a parceria como referência para a cooperação entre países em desenvolvimento. No mesmo registro, o líder chinês conclamou os dois governos a assumirem um papel ativo na defesa de interesses do Sul Global, enquanto reforçam a legitimidade e a centralidade do sistema multilateral ancorado na ONU.

No trecho mais emblemático do comunicado, Xi instou os dois países a “ficarem do lado certo da História”, expressão reproduzida pela Xinhua e destacada no noticiário. A formulação busca sugerir que Pequim e Brasília devem atuar como contrapeso às pressões e às mudanças que se desenham na política internacional, num momento em que disputas comerciais, tensões regionais e reconfigurações de alianças voltaram ao centro do debate global.

A mensagem também dialoga com a estratégia chinesa de apresentar o país como alternativa previsível e estável em contraste com a volatilidade atribuída a Washington, especialmente quando governos e economias tentam reduzir riscos em meio a choques diplomáticos e comerciais.

Trump, “America First” e a reconfiguração da geopolítica

A conversa ocorre, segundo a Bloomberg, num contexto em que a abordagem “America First” de Trump volta a reorganizar prioridades e relações internacionais. No Fórum Econômico Mundial, em Davos, nesta semana, Trump atacou aliados europeus e pressionou a Dinamarca a ceder o controle da Groenlândia, além de moderar ameaças tarifárias apenas após ter sido alcançada uma “estrutura de um acordo futuro” sobre a ilha, segundo a descrição do texto.

Esse pano de fundo ajuda a explicar por que o telefonema entre Xi e Lula foi interpretado como sinalização política: a China busca reforçar a imagem de potência responsável e comprometida com o multilateralismo, enquanto parceiros estratégicos avaliam como proteger seus interesses em um tabuleiro mais imprevisível.

Ao mesmo tempo, o noticiário aponta que Pequim vê o Brasil como parceiro crítico em meio aos esforços dos Estados Unidos para conter a influência chinesa na América Latina. É nesse contexto que o texto menciona, ainda, uma ação militar surpresa atribuída a Trump, descrita como uma operação para capturar o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, o que elevaria a pressão sobre a região e ampliaria a disputa por influência.

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Walter Santos

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