Por Paulo Galvão Júnior *
Dados recentes da Serasa Experian, divulgados no Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas, referente a dezembro de 2025, apontam que 81,2 milhões de brasileiros estão inadimplentes nas cinco regiões do Brasil.
Esse elevado contingente de pessoas inadimplentes reforça a urgência de ampliar o debate público sobre Educação Financeira, bem como de discutir estratégias eficazes que permitam às famílias brasileiras romper o ciclo da inadimplência, recuperar o equilíbrio financeiro e construir uma trajetória sustentável de maior estabilidade financeira ao longo de 2026.
Segundo a Serasa Experian, o valor total das dívidas atingiu R$ 518 bilhões em dezembro de 2025, enquanto o número de inadimplentes passou a corresponder a 49,77% da população adulta do país.
Observa-se, ainda, que a maioria dos inadimplentes é composta por mulheres (50,4%), e que a faixa etária mais afetada concentra-se entre 41 e 60 anos (35,6%).
O principal objetivo deste artigo é demonstrar que a dívida média dos consumidores inadimplentes no Brasil é de R$ 6.382,00. Entretanto, apesar desse cenário alarmante, há uma possibilidade concreta de superação da inadimplência em 2026 e, mais do que isso, de evolução financeira sustentável, permitindo que esses consumidores inadimplentes alcancem a condição de investidores no mercado brasileiro.
Por quê o cenário de elevada inadimplência no Brasil cresceu em 2025?
O quadro da inadimplência no país agravou-se de forma significativa ao longo de 2025. Em janeiro, o número de inadimplentes somava 74,6 milhões de pessoas, avançando para 81,2 milhões em dezembro.
Esse movimento representa um aumento absoluto de 6,6 milhões de brasileiros com CPF negativado, equivalente a um crescimento relativo de 8,85% em doze meses.
O mês de dezembro destacou-se negativamente, configurando-se como o pior resultado de 2025 e o maior patamar registrado nos últimos três anos. Em comparação com dezembro de 2023, quando havia 71,1 milhões de inadimplentes, observa-se um acréscimo expressivo de 10,1 milhões de novos inadimplentes, o que corresponde a um crescimento relativo de 14,20%, conforme dados da Serasa Experian.
No ranking nacional das Unidades da Federação (UFs) com maior proporção de população inadimplente, destacam-se o Amapá (66,02%), o Distrito Federal (61,84%), o Amazonas (58,25%), o Rio de Janeiro (58,13%) e o Mato Grosso do Sul (58,12%).
Em contrapartida, os estados brasileiros com os menores índices de inadimplência são Santa Catarina (39,44%), Piauí (40,08%), Espírito Santo (42,72%), Sergipe (44,04%) e Bahia (44,07%).
Esses elevados níveis de inadimplência evidenciam a necessidade urgente de mudanças estruturais na forma como os brasileiros lidam com suas finanças pessoais.
Onde estão as dívidas
Os 81,2 milhões de inadimplentes concentram suas dívidas, majoritariamente, no segmento de bancos e cartões de crédito (26,1%), seguidos por contas básicas, como água, energia elétrica e gás (22,1%), instituições financeiras (19,6%) e serviços (11,9%), conforme dados da Serasa Experian de dezembro de 2025.
Entre as principais recomendações para uma renegociação eficiente de dívidas em atraso por três meses ou mais, destacam-se:
i) priorizar dívidas com juros elevados, como cartão de crédito e cheque especial;
ii) evitar a contratação de novas dívidas durante o processo de renegociação;
iii) participar de feirões e programas especiais, como o Feirão Serasa Limpa Nome, que oferecem condições facilitadas para pagamento e quitação dos débitos;
iv) iniciar um curso de Educação Financeira o mais rápido possível.
Educação Financeira como instrumento de transformação no Brasil
Mais do que simplesmente pagar contas em dia é indispensável desenvolver um comportamento financeiro responsável, disciplinado e orientado para o futuro. A Educação Financeira permite decisões mais conscientes e estratégicas, ampliando a capacidade de planejamento nos horizontes de curto, médio e longo prazos.
A Educação Financeira ensina a planejar, investir e consumir de acordo com objetivos e necessidades individuais. Pessoas financeiramente educadas apresentam melhores condições de compreender informações econômicas, avaliar riscos e tomar decisões que impactam positivamente seus patrimônios, tanto no curto quanto no longo prazo.
Nesse contexto, a máxima de que “não se deve gastar mais do que se ganha” mostra-se especialmente atual e necessária diante da realidade dos mais de 81 milhões de brasileiros inadimplentes nas 27 UFs.
Entre as práticas recomendadas por especialistas, destacam-se:
i) buscar Educação Financeira por meio de livros, cursos, palestras e conteúdos especializados;
ii) definir metas financeiras claras, mensuráveis e realistas;
iii) iniciar investimentos em renda fixa e, gradualmente, em renda variável;
iv) alinhar objetivos financeiros com a família, por meio de reuniões mensais;
v) elaborar e acompanhar um orçamento mensal, com controle sistemático de receitas, despesas e nível de endividamento.
Com Educação Financeira é plenamente possível que qualquer brasileiro deixe a inadimplência em 2026 e alcance a condição de investidor, seja de perfil conservador, moderado ou arrojado.
É fundamental compreender que toda crise possui início, meio e fim; assim, sair do vermelho da inadimplência e avançar rumo ao equilíbrio financeiro, simbolizado pelo azul da adimplência nas contas mensais é um objetivo plenamente factível nos próximos 343 dias.
Considerações finais
Finalizando, ser uma pessoa adimplente no Brasil exige não apenas emprego e renda, mas, sobretudo, disciplina, organização e comprometimento com boas práticas financeiras.
Hábitos aparentemente simples, como controlar gastos, utilizar o crédito de forma consciente, anotar as receitas e despesas mensais no orçamento doméstico e investir regularmente, produzem impactos positivos relevantes e cumulativos ao longo do tempo.
Mais do que evitar a inadimplência, a Educação Financeira possui o potencial de transformar realidades, permitindo a realização de projetos pessoais, a redução da vulnerabilidade econômica e a conquista da tão almejada liberdade financeira. O primeiro passo é, de fato, o mais desafiador; contudo, com informação, planejamento e perseverança, qualquer pessoa física pode sair da inadimplência e tornar-se investidor no Brasil.
Por fim, os dados de dezembro de 2025 do Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas da SERASA revelam que 81,2 milhões de pessoas inadimplentes correspondem a um contingente populacional inferior ao de países de economia avançada, como a Alemanha, que possui 83,7 milhões de habitantes. Esse dado preocupante evidencia o avanço consistente da inadimplência no Brasil e reforça a urgência de ações estruturadas de Educação Financeira, bem como de iniciativas individuais e coletivas voltadas à sustentabilidade econômica das famílias brasileiras em todas as regiões do país.
Referência
SERASA EXPERIAN. Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas: dezembro de 2025.

