O agronegócio cearense pretende expandir para o mercado do Oriente Médio. A Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) do estado anunciou que estará presente na Gulfood 2026 – uma das maiores feiras de alimentos e bebidas do mundo árabe – entre os dias 26 e 30 de janeiro, em Dubai.
O secretário executivo do Agronegócio da SDE, Silvio Carlos, representará o Ceará, junto com empresários e investidores do setor, na missão que lançará globalmente o Projeto Halal Ceará.
A feira acontece no Dubai World Trade Centre e no Dubai Exhibition Centre na Expo City. Na edição deste ano o foco será inovação, tendências de mercado, sustentabilidade e networking global. O evento conta com a presença de vários países interessados em negócios e parcerias internacionais.
Projeto Halal Ceará
A iniciativa foi desenvolvida pelo Governo do Estado, em parceria com diversas instituições, para adaptar a produção local às normas religiosas e técnicas do Islã, permitindo o acesso ao mercado que movimenta trilhões de dólares.
Inicialmente, o foco principal é a cadeia de ovinos e caprinos. De acordo com Silvio Carlos, o projeto contempla todas as etapas de produção e comercialização.
“O projeto foi aprovado e agora vamos apresentá-lo em Dubai. Ele cobre toda a jornada: a criação no campo, a padronização do rebanho, a implantação de frigoríficos especializados, a certificação e, finalmente, a exportação para o mercado árabe”, explica o secretário.
Ao organizar a cadeia produtiva, a SDE foca na capacitação técnica de produtores e gestores, para promover a agregação de valor aos produtos cearenses.
Interiorização e expansão global
O plano final de estruturação do setor deve ser apresentado ainda em janeiro. O detalhamento será feito por meio de um estudo que identifica territórios do interior do Ceará com vocação para a atividade e define locais de instalações de abatedouros e estruturas logísticas necessárias.
Para o secretário da SDE, Domingos Filho, a participação na Gulfood fortalece a economia estadual.
“Estamos levando o Ceará para o centro do debate global de alimentos para atrair investimentos que gerem emprego e renda na ponta, para o nosso produtor rural”, declara.
Domingos Filho ainda acrescenta que o projeto é mais do que uma certificação religiosa, e vai expandir a produção cearense para um nível global.
“Para a ovinocaprinocultura cearense, isso representa a saída de uma produção de subsistência para uma cadeia industrial de alto valor agregado, capaz de competir globalmente”, completa o secretário.
A expectativa é que, com a vitrine em Dubai, o Ceará se consolide como um polo fornecedor confiável para o Norte da África e Oriente Médio.
Selo Halal
O termo Halal (que significa “permitido” em árabe) refere-se a produtos que respeitam a lei islâmica. Para o setor de carnes, isso exige:
Abate específico: Realizado por um muçulmano praticante, com o animal voltado para Meca.
Bem-estar animal e sanidade: Rigorosos controles de higiene e tratamento humanitário.
Rastreabilidade: Garantia de que o produto não teve contato com substâncias proibidas (como carne suína ou álcool).

