O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta quinta-feira (15), em entrevista no programa Bom Dia, Ministro, que o recorde histórico das exportações brasileiras é resultado de uma estratégia articulada do Governo Federal para diversificar mercados e reduzir a dependência de parceiros tradicionais.
Segundo Alckmin, mesmo em um ano marcado pelo aumento de tarifas impostas pelos Estados Unidos, o Brasil alcançou US$ 348,7 bilhões em exportações e US$ 629 bilhões na corrente de comércio, que soma exportações e importações. “O país bateu recorde porque abriu e conquistou novos mercados”, afirmou.
Novos mercados
De acordo com dados do Ministério da Agricultura e Pecuária, desde o início de 2023 o Brasil abriu 525 novos mercados em 82 destinos, entre países, blocos e territórios.
Para o ministro, a diversificação garante maior segurança comercial. “Você não coloca todos os ovos na mesma cesta. A abertura de novos mercados foi essencial”, disse.
Incentivo às pequenas empresas
Alckmin ressaltou que o governo busca expandir a participação de micro e pequenas empresas no comércio exterior.
“Nós temos a exportação brasileira concentrada em grandes empresas. Nós queremos que as micro e pequenas empresas também exportem. A Itália é um bom exemplo de micro e pequena empresa que exporta muito”, afirmou o vice-presidente.
Ele ainda citou o programa Acredita Exportação, que concede crédito tributário de 3,1% sobre o valor exportado para empresas de menor porte.
O ministro também ressaltou o papel da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil), por meio do Programa de Qualificação para Exportação (Peiex).
Reforma Tributária e exportações
O ministro avaliou que a Reforma Tributária terá impacto direto na competitividade das exportações brasileiras. Segundo ele, embora o país não tribute exportações, os impostos pagos ao longo da cadeia produtiva encarecem os produtos, especialmente pela demora na devolução de créditos tributários.
“Com a reforma, isso acaba. O investimento e a exportação serão totalmente desonerados”, afirmou.
Alckmin citou que estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), projeta aumento de 17% nas exportações e de 14% nos investimentos ao longo de 15 anos após a implementação da reforma.
Renovação da frota de caminhões
Também foi pauta na entrevista o lançamento do programa Move Brasil, voltado à renovação da frota de caminhões. A iniciativa oferece financiamento com juros reduzidos para caminhoneiros autônomos, cooperativas e empresas de transporte.
Segundo o ministro, as taxas caíram de patamares entre 22% e 26% para cerca de 13% a 14%. O programa financia até metade do valor do caminhão novo, com seis meses de carência e prazo de cinco anos para pagamento, além de incluir veículos seminovos.
O vice-presidente destacou o impacto ambiental do programa. “Um caminhão novo polui até 40 vezes menos do que um com mais de 20 anos”.
Isenção do Imposto de Renda
O vice-presidente também defendeu a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, em vigor desde 1º de janeiro. Para ele, a medida corrige distorções históricas do sistema tributário.
Alckmin explicou que a medida também reduz o imposto para quem ganha até R$ 7.350 e não gera impacto fiscal, uma vez que a compensação ocorre nas faixas de renda mais altas.
Segundo o ministro, a mudança deve injetar cerca de R$ 28 bilhões na economia, estimulando o consumo, o comércio, a indústria e o setor agropecuário, além de promover maior justiça tributária.

