Já não dá mais pra segurar. Agora é relaxar, entubar, assumir e administrar com elegância e bom senso até que os partidos se entendam, e mais adiante as convenções decidam quem de fato vai carregar a bandeira bolsonarista na disputa pela presidência da república.
O PT e Lula da Silva, que não tem nada a ver com isso, agradecem sem rodeios, uma possível morte anunciada de uma campanha, que pode até dar certo. Mas tem tudo pra não dar. Primeiro porque larga com inconsistência, insinua desconfianças, projeta improvisos e por mais que se empenhe em negar, não consegue evitar total desentrosamento de idéias e objetivos. E mais.
A precoce indicação de nome de Flávio Bolsonaro para uma disputa, sem consulta prévia a aliados e apoiadores, de imediato gerou constrangimentos, feriu sensibilidades e abateu ainda no nascedouro uma possível candidatura com visível viés de maior aceitação técnica e juridicamente melhor ajustada e, ainda, sediada e operante no maior colégio eleitoral do País.
Estamos falando de Tarcísio Gomes de Freitas, Governador de São Paulo, desde que eleito, devidamente paramentado para receber o convite que a ele a coerência e a lógica política, naturalmente esperavam acontecer. Não aconteceu. Nada acontece que possa ser coerente e razoável quando a fonte geradora envolva Jair Messias Bolsonaro.
Resvala no absurdo, com alta dose de ingredientes ridículos, as ingênuas e constantes manifestações do Senador Flávio, alegando ter apoio assegurado de Tarcísio de Freitas, quando chegar o momento para que isso aconteça.
Ou as assessorias dos bolsonaros estão brincando de fazer campanha, ou se divertem às custas de sonhadores que acreditam em Papai Noel ou que um dia astronauta brasileiro chegue à Lua, com a nave movida a óleo de mamona. Evidente, que por mais que haja sinais de apoio de Tarcísio à candidatura já anunciada, a credibilidade quanto a esse movimento jamais sairá do zero.
As pesquisas, o núcleo político do PL (Partido Liberal), a ex-primeira Dama Michelle e os líderes partidários dos estados estão afinados e ajustados quanto a preferência pela indicação do Governador paulista, talvez o único com alguma chance de fazer frente a uma disputa com o petista, favorito absoluto para se eleger mais uma vez ao cargo de presidente. Essa investida mal arrumada e afoita de Bolsonaro, ao apostar na candidatura de Flávio, nada mais é do que a desesperada tentativa de não deixar que o nome dele vá pelo ralo, e seja esquecido pelos súditos do mito.
Ele, e os demais seguidores, se esquecem de que terão pela frente, quer gostem, aceitam ou não, simplesmente o maior líder político da América do Sul, um dos maiores influenciadores da sociedade em todo o mundo, reconhecido por aliados e adversários. Ignorar essa realidade é negar evidências.
É assumir o amadorismo político e, com atestado de cegueira e incapacidade racional, admitir que está na disputa por um cargo unicamente por vaidade pessoal, acordos circunstanciais e totalmente desvinculado dos reais interesses em benefício do País. Aos mais habituados a esses conchavos políticos (coisa nossa), o cenário até agora desenhado, mesmo que não agrade, não surpreende.
Longe de ser um estadista que faça lembrar ou motivar saudades de nomes ilustres que já passaram pela história do Brasil, Tarcísio de Freitas, pelas circunstâncias, justifica que caia sobre ele a preferência para uma eleição majoritária. Içado ao posto de Governador pelo ex-presidente, e por ele protegido, teve sabedoria e sagacidade para se auto-projetar no cargo.
Com habilidade e esperteza política, sabe as manobras que o cargo exige, e as aproveita da melhor forma. Com jogo de cintura, mesmo com absoluta rejeição ao Governo Lula, sinaliza gestos amenos ao presidente e não se furta a cortesias no trato com seus ministros, quando pautas de interesses comuns se apresentam.
Na prática do morde e assopra, é especialista. Mesmo sendo bolsonarista juramentado, não entra em conversas de matildes como fazem Caiado, Romeu Zema, Ratinho e Cláudio Castro, candidatos deles mesmos na busca de ribaltas que jamais virão.
Nos bastidores de Brasília, onde para muitos atua de fato a base política que realmente importa, o que se sabe é que Tarcísio de Freitas tem a preferência dos integrantes do chamado Centrão. Seu nome trafega com mais simpatia até entre os adversários.
E nomes influentes como os dos senadores Ciro Nogueira e Alcolumbre, e do Deputado Hugo Motta, se não o enaltecem, ao que se sabe nunca o desprezaram.
A luz da razão, a candidatura Flávio Bolsonaro, até os dias de hoje inspira muito mais curiosidade do que realidade. Os curiosos apostam na data em que ela deixará de existir. O candidato que foi sem nunca ter sido.
José Natal
Jornalista


Tarcísio , sim!
Não se precisa de tanto espaço , argumentos e retórica , para se perceber o quanto o Brasil requer um Presidente para novos tempos. O atual, descendo a ladeira dos velhos tempos, idoso e fadigado, em sentido inverso, encontrará um outro adversário , novo e possante!
Isto acrescido de formação intelectual, que um descuidou na escola formal (quando tempo e oportunidades não lhes faltaram) e o outro soube utilizar o seu livre arbítrio , assim registra a mãe-história de ambos.
Tudo muda, diz Heráclito, a impermanência é lei, que venha Tarcísio !
Dê-se tempo ao tempo, de um deles está findando e do outro sobe a ladeira do viver!…