O setor aéreo brasileiro encerrou 2025 em ritmo de expansão. Com cerca de 130 milhões de passageiros transportados ao longo do ano, a aviação civil atingiu o maior volume da história do país, impulsionada por investimentos em infraestrutura, ampliação da aviação regional e uma agenda voltada à sustentabilidade e à inclusão social.
Os dados integram o balanço de 2025 apresentado nesta quarta-feira (14) pelo ministro de Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho, durante coletiva de imprensa em Brasília. O levantamento também reúne resultados do setor portuário e projeta um novo ciclo de concessões para 2026.
“O ano de 2025 foi o melhor dos três anos do nosso governo, em que consolidamos um programa de retomada do setor de infraestrutura. E já iniciamos 2026 com um projeto forte em curso, que inclui cinco leilões agendados para o primeiro trimestre”, declarou o ministro.
Balanço inclusivo
Em três anos, mais de 30 milhões de novos passageiros passaram a utilizar o transporte aéreo no Brasil. No mercado internacional, a movimentação chegou a 28,5 milhões de viajantes em 2025, alta de 13,7% em relação a 2024 e de 20% na comparação com 2019, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Investimentos em aeroportos
Para manter o crescimento, a infraestrutura aeroportuária ganhou prioridade. Dentro do Novo PAC, o setor recebeu uma carteira de projetos que soma R$ 1,8 bilhões, contemplando melhorias em 31 aeroportos de 16 estados.
A estratégia tem como foco a interiorização da aviação e a melhoria da segurança e da eficiência operacional em terminais regionais.
Além dos recursos públicos, a confiança do mercado se refletiu no aumento dos aportes privados. Em 2025, os investimentos privados somaram R$ 2,6 bilhões, enquanto os investimentos públicos diretos alcançaram R$ 608,4 milhões.
Programas
Entre os principais programas, o AmpliAR avançou com o leilão de 13 aeroportos regionais, localizados principalmente na Amazônia Legal e no Nordeste, garantindo R$ 731,6 milhões em investimentos e a entrada de concessionárias com experiência internacional.
Outro instrumento que impulsionou os aportes foi o programa Investe+Aeroportos, que ampliou prazos contratuais e trouxe mais segurança jurídica para investidores. Até o fim de 2025, 19 empreendimentos foram aprovados, somando R$ 4,5 bilhões em investimentos, incluindo centros logísticos, oficinas de manutenção aeronáutica e terminais VIP.
Sustentabilidade
A agenda ambiental também avançou. Em dezembro, o governo federal assinou o primeiro programa de financiamento estruturado para a aviação com recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC), em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O acordo prevê a liberação de R$ 4 bilhões para inovação, aquisição de aeronaves nacionais e, principalmente, para o desenvolvimento do combustível sustentável de aviação (SAF).
No campo regulatório, a implementação do Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação (ProBioQAV) estabeleceu metas progressivas de redução de emissões de carbono a partir de 2027.
Ações de cidadania
O ano de 2025 também foi marcado por ações voltadas aos passageiros. O Ministério de Portos e Aeroportos lançou o Programa de Atendimento ao Passageiro com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que resultou na instalação de 22 salas multissensoriais em aeroportos brasileiros e na capacitação de equipes para atendimento humanizado.
A campanha “Assédio Não Decola”, em parceria com a Anac, reforçou ações educativas e canais de denúncia para combater a importunação sexual no ambiente aéreo.
Já um acordo com o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat) garantiu 74 bolsas gratuitas para o curso de Mecânico de Manutenção Aeronáutica, com foco em jovens de baixa renda, ampliando as oportunidades de carreira no setor.
Leilões portuários e aéreos
Durante o balanço, o ministro Sílvio Costa Filho afirmou que o desempenho da aviação acompanha a retomada mais ampla da infraestrutura logística do país. Em 2025, o ministério realizou 21 leilões nos setores portuário e aéreo, que somaram R$ 11 bilhões em investimentos.
No setor portuário, foram oito leilões ao longo do ano, com investimentos de R$ 10,3 bilhões, incluindo projetos como o Túnel Santos–Guarujá e o canal de acesso ao Porto de Paranaguá.
Cronograma 2026
Para 2026, o cronograma do Ministério de Portos e Aeroportos prevê a realização de 40 leilões, sendo 21 aeroportos, 18 portos e uma hidrovia.
Já em fevereiro, está programado o primeiro bloco de leilões portuários, com quatro empreendimentos em Macapá (AP), Natal (RN), Porto Alegre (RS) e Recife (PE), que somam R$ 229 milhões em investimentos.
Em março, ocorre o leilão do terminal de contêineres Tecon Santos 10, com aporte estimado em R$ 6,4 bilhões e ampliação de 50% na capacidade de movimentação do Porto de Santos.
Para o segundo semestre, está prevista a segunda etapa do programa AmpliAR, com a concessão de aeroportos regionais, além do primeiro leilão de hidrovia do país, no rio Paraguai, com investimentos de R$ 63 milhões.

