O Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), principal instrumento de recursos na região, terá um orçamento recorde de R$ 52,6 bilhões para 2026. O valor representa um crescimento de 11,1% em relação à meta de 2025.
Em torno de 62% dos recursos (R$ 32,6 bilhões) serão direcionados aos pequenos produtores rurais, microempreendedores e empresas de pequeno porte. Esta quantia é a maior já registrada na história do fundo para os setores prioritários. A iniciativa consolida o apoio à base produtiva regional, que saltou de 51,2% de participação em 2022 para o patamar atual. Em contrapartida, os empreendimentos de médio e grande porte, classificados como não prioritários, terão à disposição R$ 20 bilhões (38%).
Segundo o superintendente da Sudene, Francisco Alexandre, o foco agora está na implementação. “Temos a missão de acompanhar o plano de ação que diz respeito ao FNE, para fazer o Nordeste crescer mais, com a perspectiva de melhorar ainda mais no ano que vem”, ressaltou.
Metas prioritárias
Entre as prioridades de financiamento, destaca-se a agricultura familiar, que ganha protagonismo através do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O programa é a maior linha de crédito do FNE para 2026, com uma reserva de R$ 11,69 bilhões. Esse valor corresponde a 22,2% de todo o orçamento do fundo, ressaltando o compromisso com a segurança alimentar, dignidade e inovação no campo.
Em complementaridade, o FNE Rural representa a segunda maior fatia do orçamento (14,5%), e vai dispor de R$ 7,60 bilhões para o próximo exercício.
Além do fortalecimento rural, as linhas voltadas diretamente à sustentabilidade e infraestrutura urbana somam mais de R$ 11 bilhões na projeção de investimentos. A programação destina R$ 5,06 bilhões para o FNE Verde, focado em tecnologias sustentáveis e preservação, e R$ 6,28 bilhões voltados para o FNE Proinfra, que abrange investimentos em energias renováveis e saneamento básico.
No contexto do empreendedorismo nas metrópoles, o FNE PNMPO (Microcrédito Urbano) conta com orçamento de R$ 5,25 bilhões e o FNE MPE (Micro e Pequenas Empresas) tem participação de R$ 5,06 bilhões.
Distribuição por UF
A estratégia para 2026 foca na manutenção do equilíbrio entre os estados beneficiados pelo fundo. Segundo o superintendente de políticas do Banco do Nordeste (BNB), Irenaldo Rubens, a proposta da Sudene foi manter a equidade na distribuição.
“A Sudene propôs fazer a mesma proporção de recursos do ano passado. Todos os estados tiveram 11% de crescimento na disposição de recursos do FNE”, explicou durante a apresentação dos dados. Confira a distribuição dos recursos do FNE para 2026 – incluindo áreas do semiárido em Minas Gerais e Espírito Santo:
Bahia R$ 11,09 bilhões (21,1%)
Ceará R$ 7,01 bilhões (13,4%)
Pernambuco R$ 6,27 bilhões (11,9%)
Maranhão R$ 5,57 bilhões (10,6%)
Piauí R$ 5,12 bilhões (9,8%)
Rio Grande do Norte R$ 3,70 bilhões (7,0%)
Paraíba R$ 3,65 bilhões (7,0%)
Minas Gerais R$ 3,19 bilhões (6,1%)
Alagoas R$ 2,82 bilhões (5,4%)
Sergipe R$ 2,76 bilhões (5,3%)
Espírito Santo R$ 1,32 bilhões (2,5%)
Setores
No recorte por setores, a Pecuária mantém a liderança com R$ 12,4 bilhões. Contudo, a Agricultura é o setor que mais cresce nominalmente, com um incremento de R$ 1,4 bilhão, atingindo R$ 10,4 bilhões. Infraestrutura e Indústria mantêm a mesma participação percentual no fundo, com orçamentos de R$ 10,5 bilhões e R$ 6,3 bilhões, respectivamente.
Como resultado, o orçamento recorde e a distribuição estratégica dos recursos reforçam o papel do FNE como instrumento central para impulsionar o desenvolvimento equilibrado do Nordeste, ampliando o acesso ao crédito, fortalecendo atividades produtivas sustentáveis e criando bases mais sólidas para o crescimento econômico e social da região em 2026.

