Corrida presidencial de Flávio Bolsonaro com Tarcísio no retrovisor, por José Natal

Por José Natal*

 

É bem provável, ou quase certo, que a real preocupação do Senador Flávio Bolsonaro, ainda nos primeiros passos rumo a sua candidatura à presidência da república, seja com o Governador Tarcísio de Freitas, e não com Luiz Inácio Lula da Silva, como muitos apostam.

E há razões para que seja assim. Primeiro porque ele sabe que é verdade que Tarcísio também quer ir à disputa, e de fato é o preferido dos aliados e do partido. E segundo, porque para derrotar Lula teria que esperar por um milagre, e Deus anda muito ocupado em atender causas mais nobres, envolvendo personagens e entidades mais carentes.

Necessitadas, digamos assim. É bem verdade também que, pelo que se sabe de informações vindas da própria base que ampara o Senador, a consistência e a veracidade dessa candidatura ainda carece de alguma jurisprudência para que se apague de vez a desconfortável sensação de que tudo isso não passa coisa arrumada.

Tipo assim, vamos deixar como está, pra ver como é que fica. Marqueteiros improvisados da família acreditam, por exemplo, que anunciar o nome Bolsonaro desde já como participante da próxima campanha eleitoral, mantém acesa a chama da disputa, mesmo sem a presença viva de Jair Bolsonaro, hoje inelegível.

Ainda distante das obrigações protocolares que regem a candidatura, amigos e “eleitores fiéis” do Senador se fazem de santos e, para evitar desarranjos que possam vir a azedar o ambiente, aceitam sem reclamar. Quanto a concordar com a candidatura, há controvérsias.

Sabidamente, o nome preferido e aprovado quase que com unanimidade pelo PL (Partido Liberal), é o de Tarcísio de Freitas, Governador de São Paulo eleito para o cargo graças a bênção e água benta despejada por Bolsonaro, a quem Tarcísio reverência, e beija as mãos.

Ainda na memória daqueles mais próximos ao capitão, a forma com que Flávio foi convidado (ou intimado) a assumir essa candidatura, desagradou de uma só vez toda a cúpula do PL, o grupo político do chamado Centrão e até a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro, puxadora de votos de vários segmentos.

Michelle é persona non grata entre aqueles que bajulam o marido dela, mas devido às circunstâncias eles fingem que a suportam, e ela finge que acredita.

Todos esses ingredientes, somados às circunstâncias e as pressões naturais sobre a candidatura, o fator Tarcisio de Freitas, mesmo que neguem, é o que mais incomoda.

Fácil deduzir porque. Governador do maior estado da Federação, bem avaliado pelas pesquisas de opinião pública, influente entre os poderosos da Avenida Faria Lima e aclamado por lideranças políticas que a ele já manifestaram apoio.

A estrada à sua frente parece mais pavimentada do que a de Flávio Bolsonaro. Analistas com mais tempo de estrada acreditam que os dois se equivalem nos ítens arrogância e falta de carisma.

Mas a pontuação em relação a Tarcisio de Freitas sob a régua quanto aos quesitos credibilidade popular, questões jurídicas pendentes, experiência administrativa e a correlação entre o candidato e o colégio eleitoral que ele representa.

Evidências comprovadamente verdadeiras, gostem os apoiadores ou não. Quem, por alguns momentos, já tenha passado ou frequentado o conturbado ambiente de uma campanha política, não terá dificuldades em entender essa mensagem.

Nascido em Resende, no Estado do Rio de Janeiro em 30 de abril de 1981 (44 anos) Flávio Bolsonaro, a exemplo de alguns parentes, traz na bagagem uma série questões que já o levaram a barra de tribunais, confrontos com advogados e que exigiram dele centenas de explicações bem distantes daquelas algum dia feitas por Madre Teresa de Calcutá.

Nesse horizonte estão rachadinhas, questões eleitorais, valores em cheques emitidos a terceiros (ou terceiras) e por aí vai. Nada que a comunidade não conheça, ou se espante.

Mas na hora do voto às vezes, (ou raramente) isso tem lá seu peso. Longe de ser um potencial candidato ao um Oscar de santidade divina, Tarcisio de Freitas, carioca, nascido em 19 de junho de 1975 (50 anos) talvez seja o mais bolsonarista dos políticos brasileiros.

Submisso às vontades do líder, devoto a sua cartilha e ativo praticante de suas determinações, o Governador paulista chegou ao posto levado pela mão (e pelo espírito) de Bolsonaro, alcançando uma votação de mais 13 milhões de votos, 55,27% do total apurado.

Críticos mal humorados garantem que não passam de 15 o número de cidades paulistas que o governador conhece até os dias de hoje, desde que foi eleito em outubro de 2022. O estado tem 625 municípios, o que aumenta a tese de que com certeza isso deve ser a famosa intriga da oposição.

O debate, ainda silencioso, entre os que de fato vão merecer a bênção do capitão já projeta dias de alta tensão, uma vez que não há de nenhuma das partes envolvidas sinais de renúncia, ou coisa parecida.

Já na largada da corrida, Flávio Bolsonaro não tira os olhos do espelho retrovisor, onde aparece a insistente imagem de Tarcísio de Freitas, que pede passagem, embora insista em negar.

 

*José Natal é Jornalista
**Os artigos e opiniões publicados no site da Revista NORDESTE são de responsabilidade de seus autores
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