O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu, nesta sexta-feira (2), abrir um processo para analisar os documentos encaminhados pelo Banco Central (BC) referentes à liquidação do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro.
O presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo, informou que os trabalhos devem ser concluídos em até 30 dias. Após esse prazo, o material será encaminhado ao ministro Jhonatan de Jesus, relator do caso.
Mesmo durante o recesso, Vital do Rêgo ressaltou que o órgão segue em funcionamento, com técnicos atuando em todas as secretarias. O retorno integral dos servidores está previsto para o dia 17 de janeiro.
Segundo o ministro, o BC enviou uma nota técnica com as justificativas para a liquidação, que agora passam por análise do TCU. “Respeitamos a posição do Banco Central, mas precisamos conhecer todos os fundamentos e processos que embasaram a liquidação”, afirmou em entrevista ao jornal O GLOBO. Ele destacou ainda que o BC atua como regulador do sistema financeiro, enquanto o TCU exerce um controle de segunda ordem.
Processo corre sob sigilo e divide o TCU
O caso gera apreensão entre agentes do mercado diante da possibilidade de concessão de uma liminar que suspenda a liquidação do banco, o que poderia provocar instabilidade financeira e comprometer o pagamento de investidores pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
O processo tramita sob sigilo no TCU por envolver dados bancários protegidos pela Constituição. Nos bastidores, há divergências entre os ministros sobre a condução do caso.
A atuação do Banco Master já era alvo de desconfiança desde o segundo semestre de 2024, devido à promessa de retornos acima do praticado pelo mercado. A situação se agravou após o anúncio da venda do banco ao Banco de Brasília (BRB), em março, operação que acabou rejeitada pelo BC após a identificação de problemas nas carteiras de crédito.
O caso também é investigado no âmbito da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, e chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF).

