Nada do que possam se orgulhar do que fizeram no verão passado, por José Natal

Até parece coisa encomendada, mas, na verdade, não é. Ao apagar das luzes do ano de 2025, uma vez mais, vem da classe política duas ou três coisas que, pelas circunstâncias e coincidências, ganharam holofotes junto à opinião pública, escudeira de plantão que a tudo enxerga, e quase sempre julga. Perdoa ou condena.

Em um intervalo curto, pouco mais de algumas horas, três parlamentares (de peso) do PL (Partido Liberal) deram as caras na sessão “vexame total” e emplacaram, cada um com seu estilo nada consagrador, levando pra casa (ou pra cela) o diploma de deputado cassado, fora da vida no parlamento. Pouco importa aqui as condições em que Eduardo Bolsonaro, Carla Zambelli e Alexandre Ramagem foram afastados de seus mandatos.

Os erros de cada um foram punidos ou por colegas, pelos artigos da lei, por omissão ou excesso. Com argumentos inconsistentes, apelos emocionais, ou até mesmo usando velha e surrada alegação de que “isso não é justo”, a tropa de choque e a legião dos inválidos estão por aí a gritar, arrastando bandeiras e alegando injustiça.

Apenas como lembrete, cada um dos punidos teve lá seus momentos de farta contribuição com ações contra o patrimônio, sem medir consequências. Dos Estados Unidos, ignorando normas internas da Câmara e agredindo brasileiros de toga, o garotinho rebelde, Eduardo Bolsonaro fez e aprontou, se disse amigo do Rei e acabou levando um sonoro pé no traseiro.

Se bobear e não tomar juízo, vai acabar em Sepetiba vendendo siri na praia. Içando bandeiras que nunca teve força para segurar, Carla Zambelli, atravessou ruas em São Paulo empunhando arma ao estilo Chicago 1920 acabou perdendo o diploma por exageros e desafios a Lei Eleitoral. Para os bolsonaristas, ela é outra injustiçada, e se na prisão insistir em fazer de cara de cinderela, visando sensibilizar juízes e governantes, talvez fique por lá um tempo bem maior do que esperava.

No seu caso, invocar alzheimer não vai colar, muita nova pra isso. Alexandre Ramagem, tido pelos colegas como esperto, e de posse de conhecimentos e artimanhas
que a vida de espião nos tempos do Planalto ensinou, também errou o palpite do jogo, deu zebra.

Fez manobras cinematográficas, usou carros, aviões e atravessou fronteiras, ao melhor estilo filme mexicano mas de nada adiantou. No bolso mantém os lenços, mas perdeu documentos importantes, entre eles o passaporte.

A saga desses três guardas de honra da escola e Bolsonaro, ao que parece, tende a render outros dissabores. Punições como essas, no Brasil, todos sabemos disso, vez por outra costumam ser revertidas, perdoadas ou até alteradas. A versatilidade jurídica no País tropical é imensa, maleável digamos assim.

A pauta de fim de ano, mantendo o Partido Liberal no topo das manchetes e likes na rede social não para por aqui. E os integrantes do partido parecem adotar com alegria o lema “falem mal, mas falem de mim”.

Com uma cara de pau de fazer inveja a turma do ex-casseta e planeta (TV Globo), Sóstenes Cavalcante, deputado alagoano de 50 anos, teólogo e pastor evangélico já no seu terceiro mandato, também fez questão de manter o seu partido (PL) na ponta dos cascos, também manchetando fatos nada positivos. Se dizendo sufocado pelo excesso de trabalho, Sóstenes explicou à justiça e a mídia que 400 e poucos mil reais encontrados em seu armário doméstico não foram depositados no banco por falta de tempo.

Segundo ele, o dinheiro era fruto da venda de um apartamento. Há controvérsias. A Polícia Federal investiga Sóstenes e seu colega de partido, Carlos Jordy, por utilização indevida de verbas de gabinete de parlamentares.

Os dois são do PL do Rio de Janeiro, e se juntam a Zambelli, Ramagem e Eduardo Bolsonaro, formando um quinteto fantástico que, a essa altura do campeonato, entra como cota negativa aos interesses do patrão Bolsonaro, que da cadeia convoca o partido e aliados a prestigiar Flávio, seu filho, a candidatura presidencial.

Para o partido, vamos admitir, essa com certeza não pode ser a melhor forma de se encerrar o ano, justo agora com os devaneios e sonhos latentes com vistas a uma campanha presidencial.

Na prisão, conversando consigo mesmo, se recuperando de cirurgias e amargando as angústias de uma solidão, cada vez mais Bolsonaro bate de frente com a dura realidade. Com alguns amigos que tem e com aliados ali por perto, nem precisa de inimigos.

 

José Natal
Jornalista

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Walter Santos

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One thought on “Nada do que possam se orgulhar do que fizeram no verão passado, por José Natal

  1. Maria luiza Gatto 26 de janeiro, 2026 at 9:52

    Gostaria de saber , onde posso encontrar instruções para pide relatar sobre seres extraterrestres. Que nunca falei a 40 Mos atrás , quando vi três esferas fazendo acrobacias no céu de Brasília, em maio de 1986
    E na minha casa no dia 10 de dezembro passado . Quando vi um ser .

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