Revista NORDESTE reproduz entrevista de Lula a Walter Santos com abordagens atualizadas

Em entrevista concedida à Revista Nordeste, Lula analisou processos históricos que culminaram em desigualdades sociais existentes no Brasil.

Walter Santos, fundador da Revista NORDESTE – que há 19 anos faz a leitura do Brasil e do mundo pela ótica dos nove estados nordestinos – anuncia novidades para 2026, quando a publicação completa 20 anos. A partir do próximo ano, a revista expandirá sua estrutura a partir de Brasília, passando a produzir conteúdos especiais e um podcast com entrevistas exclusivas.

Inicialmente, a nova fase irá compor o INTEGRA HUB – Centro Integrado de Comunicação, contando com a participação solidária do renomado multimídia Napoleão de Castro. A Revista NORDESTE também produzirá livros em versão digital, incluindo um que contará a história da própria publicação e outro especial sobre as relações do Nordeste brasileiro com Portugal, reunindo textos do colunista português Rui Coelho e do recifense Cesar Rocha. Além disso, estão previstos dezenas de seminários para discutir o futuro do Brasil sob a ótica do Nordeste.

Dentro dessa trajetória editorial, a revista relembra uma entrevista concedida pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao jornalista Walter Santos, em 2017. Na ocasião, Lula falou sobre os fatores históricos que afetaram o Brasil desde o período colonial e que contribuíram para a disparidade socioeconômica entre os estados nordestinos e os grandes centros da Região Sudeste. Segundo ele, com a chegada da corte portuguesa ao Brasil, em 1808, e sua instalação no Rio de Janeiro, os monarcas “levaram a sala para o Rio e deixaram a senzala no Nordeste”.

“As pessoas não têm noção de que o Nordeste já foi a parte mais rica do Brasil. As pessoas acham que São Paulo sempre foi rico, que a Região Sul sempre foi rica e que o Nordeste sempre foi pobre e miserável. Apenas as pessoas que estudam a história sabem que o Nordeste, até a chegada da coroa portuguesa, era efetivamente a parte mais desenvolvida do Brasil”, afirmou Lula.

O presidente também recordou que a economia gerada pela cultura da cana-de-açúcar, então o principal produto exportado pelo Brasil para a Europa, permitiu um grande desenvolvimento da região em comparação com outras partes do país. Ele fez ainda um paralelo com o ciclo da borracha, ocorrido em áreas da Região Norte, quando a comercialização do produto no mercado internacional promoveu uma grande injeção de recursos. “Teve regiões riquíssimas, gente que ficou milionária. Gente que mandava lavar roupa em Paris, demoravam seis meses para ir e voltar, tal era o luxo durante a revolução da borracha”, lembrou.

Para o pernambucano, o grande desafio imposto ao povo nordestino resultou do volume elevado de investimentos da União concentrados nas regiões Sul e Sudeste, enquanto o Nordeste ficava, segundo ele, “pela natureza”. Lula citou ainda a criação da Sudene, no governo de Juscelino Kubitschek, como uma tentativa de pensar meios e mecanismos capazes de promover o desenvolvimento da Região Nordeste por meio de políticas especiais.

“O governo é o indutor do desenvolvimento, o governo é quem tem a capacidade de planejar e orientar para tornar o país mais equânime. O Nordeste ficou empobrecido porque recebia menos dinheiro para a educação e tinha menos doutores e menos mestres”, definiu Lula na entrevista.

Assista à íntegra da entrevista de Lula à Revista NORDESTE, em 2017:
https://www.facebook.com/watch/?v=1642092139143443

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Ana Júlia Silva

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