Papo de Economia: Quantos nordestinos ganham até R$ 5 mil por mês? Por Paulo Galvão Júnior

Por Paulo Galvão Júnior (*)

 

A análise regional da renda é fundamental para compreender as persistentes desigualdades socioeconômicas no Brasil. A distribuição de renda no país segue marcada por fortes assimetrias regionais, e o Nordeste ocupa posição central nesse debate nacional.

Um indicador econômico revelador dessa realidade é a proporção da população que vive com renda mensal de até R$ 5 mil, valor que, embora possa parecer elevado em termos nominais, representa um patamar relativamente modesto quando considerado o custo de vida, a inflação acumulada nos últimos 12 meses e as necessidades básicas das famílias.

Dados recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do segundo trimestre de 2025, indicam que mais de 80% da população brasileira recebe até R$ 5 mil por mês, exatamente 84,0%, o equivalente a 102,3 milhões de trabalhadores.

No Nordeste, esse percentual é ainda mais elevado, 91,4%, refletindo fatores estruturais como menor rendimento médio nominal real mensal do trabalho, elevada informalidade e concentração de atividades de baixo valor agregado.

Este artigo analisa quantos nordestinos se encontram nessa faixa de renda, apresentando um panorama comparativo entre os nove estados da região Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe), bem como sua posição nos rankings regional e nacional.

Nordeste é uma região majoritariamente abaixo de R$ 5 mil por mês

De forma geral, todos os estados nordestinos apresentam percentuais superiores à média nacional (84%), o que indica que a imensa maioria da população da região vive com renda mensal de até R$ 5 mil. Em alguns estados, esse percentual ultrapassa 93%, revelando que apenas uma fração muito pequena da população alcança rendimentos mais elevados.

No Nordeste, 9 em cada 10 trabalhadores vivem com menos de R$ 5 mil por mês. Esse quadro preocupante reforça interpretações estruturais clássicas, como as de Celso Furtado (1920-2004), para quem o subdesenvolvimento nordestino está associado à baixa complexidade produtiva, à dependência de setores tradicionais e à limitada difusão do progresso técnico.

Atualmente, os programas de transferência de renda, embora fundamentais no curto prazo para mitigar a pobreza extrema, devem atuar de forma articulada com políticas estruturantes, evitando a perpetuação da dependência governamental e promovendo a autonomia econômica das famílias.

Quantos nordestinos ganham até R$ 5 mil por mês?

O Quadro 1 apresenta o percentual da população que recebe até R$ 5 mil mensais em cada estado do Nordeste, bem como, a sua posição no ranking regional e nacional, baseada na PNAD Contínua, do IBGE, do segundo trimestre de 2025:

Quadro 1. Percentual da população do Nordeste com renda mensal de até R$ 5 mil
Estado Percentual da população

com renda de até R$ 5 mil por mês

Ranking

no Nordeste

Ranking

no Brasil

Maranhão 94,8%
Piauí 93,2%
Ceará 93,1%
Alagoas 92,5%
Paraíba 92,3%
Bahia 92,2%
Pernambuco 89,1%
Rio Grande do Norte 87,4% 10º
Sergipe 86,8% 12º
Fonte: IBGE.

No ranking regional, Maranhão, Piauí e Ceará lideram com os maiores percentuais da população abaixo do patamar de R$ 5 mil mensais, com 94,8%, 93,2% e 93,1%, respectivamente, evidenciando estruturas produtivas menos diversificadas e rendimentos médios mais baixos.

Alagoas, Paraíba e Bahia apresentam percentuais superiores a 92%, demonstrando que mesmo estados com capitais relativamente dinâmicas convivem com forte concentração de renda.

Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe, embora ocupem as últimas posições no ranking nordestino, ainda mantêm mais de 86% da população com renda mensal inferior a R$ 5 mil, percentual significativamente acima da média nacional no segundo trimestre de 2025.

A posição do Nordeste no ranking nacional

No ranking brasileiro, os estados nordestinos concentram-se majoritariamente entre as seis primeiras posições, seguido dos estados da Região Norte. Esse padrão confirma que a desigualdade de renda no continental e populoso Brasil possui um forte recorte regional, penalizando historicamente Nordeste e Norte.

De acordo com o IBGE a região Nordeste lidera o ranking nacional com 91,4% da população recebendo mensalmente até R$ 5 mil, seguido pelas regiões Norte (85,1%), Sudeste (72,3%), Sul (70,8%) e Centro-Oeste (68,6%).

Principais implicações econômicas e sociais no Nordeste

O Nordeste é uma região brasileira extremamente desigual. A elevada proporção de nordestinos com renda mensal de até R$ 5 mil gera diversas implicações socioeconômicas, entre as quais se destacam:

i) Baixo poder de consumo de bens e serviços, limitando o dinamismo do mercado regional;

ii) Alta dependência de políticas públicas, como transferências de renda e provisão estatal de serviços essenciais;

iii) Restrita mobilidade social, sobretudo entre famílias inseridas na informalidade;

iv) Concentração das rendas mais elevadas em capitais, no setor público e em ocupações altamente qualificadas; e

v) Crescentes diferenças regionais no acesso à educação privada, saúde suplementar, previdência privada e instrumentos de investimento financeiro.

Com certeza, temos que lutar contra a elevada desigualdade social no Nordeste em plena Quarta Revolução Industrial e continuar com a esperança por dias melhores nos nove estados nordestinos.

Considerações finais

Finalizando, os dados do IBGE analisados demonstram que o Nordeste é, majoritariamente, uma região de renda mensal inferior a R$ 5 mil. Em todos os seus estados, mais de 86% da população encontra-se nesse patamar, superando a média nacional. Trata-se de um retrato claro e persistente das desigualdades regionais brasileiras, apesar dos avanços sociais observados nas últimas décadas.

A superação desse quadro preocupante exige políticas estruturantes de longo prazo, voltadas à elevação da produtividade por trabalhador, à industrialização regional, à inovação tecnológica, à educação de qualidade e à geração de empregos formais melhor remunerados. Sem essas transformações, o Nordeste continuará concentrando grande parte da população brasileira nos estratos mais baixos da distribuição de renda do Brasil, com 91,4% da população recebendo até R$ 5 mil por mês.

Portanto, Nordeste tem cerca de 9 em cada 10 pessoas que recebem até R$ 5 mil mensais. Os dois estados nordestinos com menores percentuais são Sergipe (86,8%) e Rio Grande do Norte (87,4%). Enquanto os estados com maiores percentuais são Maranhão (94,8%) e Piauí (93,2%). Logo, o Nordeste é a região brasileira onde a maior parcela da população se concentra nos estratos de renda mensal de até R$ 5 mil, evidenciando a elevada desigualdade de renda no Brasil.

Hoje, entendo que a estratégia mais eficaz para a forte redução da desigualdade de renda no Nordeste reside na combinação estruturada de políticas públicas de educação de qualidade, inclusão produtiva e fortalecimento da economia nordestina com melhores salários.

 

 

(*) Economista paraibano, conselheiro efetivo do CORECON-PB, diretor-secretário do Fórum Celso Furtado de Desenvolvimento da Paraíba e apresentador do programa Economia em Alta na rádio web Alta Potência na capital paraibana. WhatsApp para entrevistas e palestras: +55 (83) 98122-7221.
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Luciana Leão

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