De olho nos países que compõem o Sudeste Asiático, quais sejam, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Myanmar, Singapura, Tailândia, Vietnã, Brunei e Timor Leste, uma região com PIB superior a US$ 4 trilhões e mais de 680 milhões de consumidores, o Complexo Industrial Portuário de Suape apresenta, nesta quarta-feira (10), em Brasília, seu potencial como hub logístico e principal porta de entrada do Brasil para aquela área do mundo.
O encontro, que reúne embaixadores, investidores, parlamentares e autoridades, reforça a crescente relevância desse bloco como destino das exportações brasileiras, em especial, soja, trigo, açúcar e derivados de petróleo, produtos com maior presença na pauta.
A movimentação sinaliza um movimento mais amplo: a tentativa do Nordeste de se consolidar nas grandes cadeias globais de comércio justamente num momento em que o Sudeste Asiático amplia sua inserção como polo industrial e centro dinâmico da economia mundial. Para Suape, trata-se de ocupar um espaço que combina posição geográfica, infraestrutura e uma estratégia comercial voltada à atração de novos fluxos marítimos.
O diretor-presidente do complexo, Armando Monteiro Bisneto, apresenta no evento os diferenciais de Suape e as oportunidades do polo industrial instalado no entorno do porto. A agenda é promovida pelo Instituto Ásia-Pacífico e pela Frente Parlamentar Mista Brasil-ASEAN, presidida pelo deputado Waldemar Oliveira (PE).
Ele resume o movimento: “Queremos posicionar Suape como uma alternativa competitiva para o envio de produtos asiáticos ao Brasil e como ponto de distribuição. Também trabalhamos para prospectar novas linhas marítimas que ampliem as exportações de bens produzidos no complexo e na região”, afirma.
O interesse não surge do zero. Desde 2024, Suape conta com uma linha marítima regular e semanal de longo curso que conecta o porto diretamente a Singapura e a outros terminais estratégicos da Ásia. Localizado na Região Metropolitana do Recife, o porto se consolidou como o sexto mais movimentado do país, sustentando um polo industrial diversificado e funcionando como vetor do desenvolvimento regional.
Cooperação institucional em construção
A programação prevê ainda a assinatura de um acordo de cooperação técnica entre Suape e a Frente Parlamentar — um gesto que, na prática, tende a fortalecer a articulação político-institucional e abrir espaço para novas iniciativas de integração comercial. Participam também o embaixador Nguon Hong Prak, do Reino do Camboja (que representa os diplomatas da ASEAN), o embaixador Alex Giacomelli, do Ministério das Relações Exteriores, além de ministros do Governo Federal.
Criada em março de 2025, a Frente Parlamentar Mista Brasil-ASEAN vem atuando como elo entre o setor produtivo, o Congresso e os parlamentos asiáticos, com a missão de ampliar mercados, reduzir barreiras e estimular investimentos em ambas as direções.
O movimento desta quarta-feira reforça um ponto crucial: com a expansão das relações comerciais brasileiras no eixo Ásia-Pacífico, o Nordeste, e Suape, em particular, disputa lugar privilegiado numa rota que tende a ganhar peso estratégico nos próximos anos.

