Nordeste cria frente conjunta para organizar o Matopiba e alinhar ações no Sealba

A Fenagro 2025 abriu espaço para um movimento considerado decisivo na organização das novas fronteiras agrícolas brasileiras. Bahia, Maranhão, Piauí e Tocantins, eixo que forma o Matopiba, firmaram nesta terça-feira (2) um acordo de governança que, pela primeira vez, estrutura uma instância conjunta para orientar o desenvolvimento da maior área de expansão agropecuária do país. A ideia é simples, mas inédita, coordenar decisões, reduzir conflitos e pensar o desenvolvimento de forma integrada.

A Bahia foi representada por Pablo Barrozo, superintendente da Seagri-BA. Também participaram Fábio Abreu Costa, secretário de Assistência Técnica e Defesa Agropecuária do Piauí; José Américo Vasconcelos, secretário da Agricultura do Tocantins; e Sérgio Delmiro, subsecretário de Agricultura e Pecuária do Maranhão.

O acordo cria um comitê de governança que atuará em três frentes: fortalecimento das cadeias produtivas, integração tecnológica e abertura de mercados. Entra também uma pauta que ganha peso no debate regional: práticas sustentáveis, recuperação de áreas degradadas e modelos de produção de baixa emissão de carbono.

“É uma ação que reúne os estados em torno de soluções comuns, deixando para trás a lógica de cada um por si”, avaliou José Américo Vasconcelos, reforçando o caráter estratégico do pacto.

Sealba ganha prioridade em citricultura e leite

No mesmo dia, Bahia, Sergipe e Alagoas assinaram um termo de cooperação para fortalecer o Sealba, região que desponta como polo de citricultura e pecuária leiteira. O documento foi firmado por Pablo Barrozo e Zeca Ramos, secretário de Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca de Sergipe. O secretário de Alagoas, que não pôde comparecer, já havia assinado previamente.

A parceria estabelece dois eixos de atuação: desafios da citricultura e fortalecimento da cadeia do leite. A ideia é somar experiências, integrar políticas públicas e ampliar o apoio técnico ao produtor.

Zeca Ramos lembrou que o Sealba já é reconhecido nacionalmente pelo controle sanitário da citricultura — um diferencial que poderá gerar ainda mais competitividade com ações conjuntas.

Para Osni Cardoso, secretário da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia, a Fenagro deste ano marca uma mudança de postura dos estados: “Estamos focados em verticalizar a produção, agregar valor e ampliar emprego e renda. É fundamental que todo o sistema produtivo participe desse processo.”

Um passo além do protocolo

Mais do que assinaturas formais, os acordos indicam uma nova etapa para a região: estados que antes atuavam de maneira isolada passam a planejar juntos. No Matopiba, isso significa organizar uma fronteira agrícola que cresceu rapidamente, mas urge práticas de coordenação e governança, na avaliação dos representantes estaduais.

No Sealba, representa dar escala a cadeias já consolidadas, com impacto direto sobre a economia regional.

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Luciana Leão

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