A Paraíba deu um passo estratégico na fruticultura regional ao anunciar sua primeira cultivar própria de acerola. A Rubi-PB nasce em um momento em que cadeias produtivas adaptadas ao Semiárido ganham relevância nas agendas econômica e tecnológica do Nordeste, impulsionadas pela demanda crescente por alimentos funcionais e pela consolidação do mercado de polpas e produtos de saúde e bem-estar.
A iniciativa é resultado de duas décadas de pesquisa contínua. O trabalho começou no início dos anos 2000, sob a coordenação do professor João Bosco, e avançou em 2006 com a condução da agrônoma Gerciane Cabral da Silva na Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária (Emepa, atual Empaer).
Em 2019, uma parceria com o Viveiro de Fruticultura do Departamento de Fitotecnia e Ciências Ambientais do CCA/UFPB inaugurou uma fase de experimentação em maior escala, ampliando as avaliações agronômicas e de qualidade.
Segundo Gerciane, as análises confirmaram o potencial competitivo da nova cultivar. Ela destaca que a Rubi-PB apresenta elevado teor de ácido ascórbico e antocianinas, características valorizadas pela indústria de alimentos e bebidas.
“A cultivar se destaca pela preservação do sabor e pela coloração vermelho-escarlate mais intensa e estável ao longo do armazenamento. Além disso, permanece mais tempo no pé, o que facilita a colheita antes da queda, reduz perdas e agrega valor comercial. Essa estabilidade é estratégica para o fortalecimento da cultura na região”, afirma.
A chegada da Rubi-PB ao mercado atende a uma demanda de produtores que buscam cultivares mais resistentes, estáveis e com bom desempenho em ambientes de alta luminosidade e variação hídrica , condições típicas do Nordeste. A combinação de qualidade e adaptação tende a fortalecer polos produtores, especialmente em áreas que já se destacam no cultivo de acerola para exportação e processamento.
O lançamento também abre perspectivas econômicas. A indústria de polpas, sucos e suplementos vê na nova cultivar uma oportunidade de ampliar o fornecimento regional com maior padronização e valor agregado. Para os produtores, representa a possibilidade de ampliar receita, reduzir perdas e acessar novos nichos de mercado impulsionados pela demanda por alimentos ricos em vitamina C e antioxidantes.
A acerola Rubi-PB está à disposição dos produtores rurais, que poderão fazer as encomendas junto ao viveiro da Empaer na Estação Experimental Cientista José Irineu Cabral da Empaer (mudas certificadas) e no Centro de Ciências Agrárias da UFPB, que poderão produzir as mudas. Para o diretor de pesquisa da Empaer, Aderval Monteiro Valença Dias, a partir do primeiro trimestre de 2026, as mudas estão sendo preparadas para comercialização.

