A Changing Markets Foundation divulgou o relatório “The Meat Agenda: Agricultural Exceptionalism and Greenwash in Brazil” (A Agenda da Carne), que analisa o setor de carne no debate climático e sua influência sobre políticas públicas relacionadas a COP30, que é sediada em Belém (PA).
Segundo a instituição, a forma como a indústria participa das discussões pode afetar o protagonismo climático do Brasil. O relatório destaca três pontos:
- um calendário de eventos ligados ao setor que, de acordo com a fundação, busca influenciar a narrativa sobre agricultura na COP30;
- a ausência de medidas específicas na Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) brasileira para enfrentar as emissões de metano da agropecuária, apontada como um “ponto cego”;
- o enfraquecimento de políticas previstas na NDC, como a implementação do Código Florestal e o desenho do Sistema de Comércio de Emissões, que, segundo o relatório, não inclui a agricultura.
Avanços no campo ambiental e social
O documento também contextualiza avanços recentes na redução do desmatamento e no combate à fome. Segundo a Changing Markets, esses avanços são atribuídos ao fortalecimento da agricultura familiar, que produz a maior parte dos alimentos consumidos internamente, apesar de deter menos terras e acesso limitado a crédito.
A fundação afirma, entretanto, que ainda existem desafios relacionados à influência do agronegócio na formulação de políticas públicas. A Frente Parlamentar da Agropecuária reúne atualmente 59% dos deputados e 62% dos senadores, o que, segundo o relatório, amplia o peso político do setor.
O estudo também menciona campanhas de comunicação que associam o agronegócio ao desenvolvimento econômico e à segurança alimentar. De acordo com dados apresentados, grande parte da produção do setor é voltada à exportação: o Brasil é responsável por 21% da carne bovina comercializada internacionalmente.
Impacto climático
O relatório destaca ainda que o país é o quinto maior emissor global de metano, gás de efeito estufa mais potente que o dióxido de carbono no curto prazo, e que mais de 75% dessas emissões vêm da agropecuária.
Para a representante da Changing Market, Maddy Haughton-Boakes, enfrentar as emissões do setor é essencial para o cumprimento das metas climáticas brasileiras. Segundo ela, a COP30 é uma oportunidade para que decisões sobre sistemas alimentares sejam orientadas por evidências científicas e pelas comunidades afetadas.
O lançamento de A Agenda da Carne complementa o relatório “The New Merchants of Doubt” (2024), também produzido pela fundação, que analisou a atuação de grandes empresas de carne em debates climáticos no cenário internacional.

