O futuro se reconstrói com conhecimento: um chamado após a tragédia no Paraná, por Paulo Galvão Júnior

Por Paulo Galvão Júnior (*)

Em 7 de novembro de 2025, na última sexta-feira, um tornado atingiu o estado do Paraná, provocando cinco mortes (sendo três homens, uma mulher e uma adolescente), deixando mais de 750 feridos, mais de 1.000 pessoas desabrigadas e destruindo cerca de 90% das residências, prédios comerciais e públicos da pequena cidade de Rio Bonito do Iguaçu.

O desespero dos 14 mil moradores, o terror vivido em um minuto sob ventos superiores a 250 quilômetros por hora (km/h), revelam a força destrutiva da natureza e os impactos crescentes das mudanças climáticas no Paraná, no Brasil, na América do Sul e no mundo.

Postes de energia elétrica, semáforos, placas de sinalização, árvores, casas, telhados, caixas d’água, os ventos severos derrubaram tudo. Foram cenas desesperadoras para os brasileiros da pequena cidade paranaense, localizada a aproximadamente 1.521 quilômetros, em linha reta, da sede da 30ª Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Mudanças Climáticas (COP30), que começou oficialmente, hoje, em Belém, no estado do Pará.

A COP30 ocorre entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025, e essa oportunidade de conscientizar e prevenir os efeitos das mudanças climáticas não pode ser desperdiçada. Para tanto, torna-se fundamental desenvolver uma consciência crítica e preventiva em relação às mudanças do clima.

O tornado de nível F3 (com velocidades do vento de 250 a 330 km/h) que atingiu o Centro-Oeste do Paraná foi o mais letal das últimas três décadas. Carros e motocicletas foram arrastados e tombados pelas ruas por ventos severos, como também, casas, escolas, creches, postos de saúde, supermercados, lojas, cooperativas e farmácias foram destruídas, deixando um rastro de devastação, dor, perda e prejuízo por toda a cidade.

O conhecimento é o melhor caminho

Em um mundo em constante transformação, onde a tecnologia avança em ritmo acelerado e os impactos ambientais tornam-se cada vez mais visíveis, cresce o movimento em favor de um desenvolvimento sustentável baseado no conhecimento.

Sim, o conhecimento é o melhor caminho da libertação na busca pelo desenvolvimento sustentável. Trata-se de um propósito que transcende fronteiras políticas, ideológicas e econômicas, representando um compromisso global com a inovação tecnológica, a educação de qualidade e a preservação do planeta.

O desenvolvimento sustentável deixou de ser apenas uma pauta ambiental para se tornar um modelo de progresso humano. Hoje, o desafio não é apenas crescer, mas crescer com consciência, respeitando os limites dos ecossistemas e garantindo oportunidades para as atuais e futuras gerações.

Nesse cenário desafiador, o conhecimento, resultado da ciência, da educação e da sabedoria acumulada pela humanidade, emerge como o principal motor da economia verde. Nesse sentido, promover um desenvolvimento sustentável baseado no conhecimento torna-se uma estratégia fundamental para a sobrevivência e a prosperidade global.

As sociedades que reconhecem o valor do conhecimento investem prioritariamente em pessoas, pesquisa e desenvolvimento (P&D) e tecnologias limpas. Compreendem que o verdadeiro crescimento não se mede apenas pelo Produto Interno Bruto (PIB) ou pelo PIB per capita, indicadores tradicionais de desempenho econômico, mas pela capacidade de inovar, preservar o meio ambiente e incorporar novas variáveis de natureza econômica, social e ambiental ao processo de desenvolvimento sustentável.

Desenvolvimento sustentável

A era do conhecimento redefine o conceito de riqueza. Países, regiões, estados e municípios que antes dependiam unicamente de recursos naturais agora buscam transformar inteligência em valor econômico. O investimento em educação de qualidade, inovação tecnológica e sustentabilidade ambiental tornou-se o grande diferencial competitivo das nações e das empresas.

Na Europa, políticas de energia limpa e economia circular geram novas oportunidades de trabalho e reduzem as emissões de gases de efeito estufa (GEE). Na Ásia, a aposta em tecnologia verde coloca países como Japão, Coreia do Sul e China na vanguarda da inovação sustentável.

Na América Latina, observam-se o surgimento de polos de pesquisa e de startups voltados à bioeconomia, com foco no desenvolvimento de soluções inovadoras para o uso sustentável da biodiversidade regional.

O Brasil, com sua vasta riqueza natural, poderia ser protagonista nesse cenário. Possui universidades de qualidade, centros de pesquisa respeitados e a maior reserva de biodiversidade do planeta. O que falta é transformar potencial em projeto nacional de desenvolvimento sustentável, no qual a ciência, a tecnologia e a educação sejam pilares de Estado, e não apenas promessas de governo.

É essencial que o país promova o desenvolvimento sustentável baseado no conhecimento, integrando saber científico, inovação e responsabilidade ambiental. É fundamental que os brasileiros atuem com consciência, planejamento e compromisso com o futuro melhor do país e do planeta.

A reconstrução da cidade afetada por eventos climáticos extremos, como o tornado de nível F3 de Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, e, sobretudo, a ajuda humanitária para os sobreviventes da pior tragédia da cidade, deve servir de exemplo de reconstrução verde e inteligente, guiada por ciência e planejamento. E a solidariedade se multiplica a cada minuto.

Considerações finais

Lamentavelmente, o momento é de profunda dor e sérias dificuldades em Rio Bonito do Iguaçu. As pessoas desabrigadas perderam completamente suas moradias e não têm outro local para residir, sendo acolhidas em abrigos públicos provisórios, como na Casa do Idoso. De acordo com a Defesa Civil, mais de 1.000 pessoas estão desabrigadas na cidade de Rio Bonito do Iguaçu, após a destruição de suas casas pelo tornado que atingiu o estado do Paraná, um dos três estados da região Sul.

A Paróquia Santo Antônio de Pádua na cidade brasileira, agora, após o tornado, mundialmente conhecida, está recebendo doações de alimentos, roupas, água mineral, medicamentos, colchões, fraldas, velas e outros itens essenciais. Sua colaboração é muito importante neste momento tão doloroso!

Mas, o futuro da cidade paranaense, localizada a aproximadamente 380 km da capital do estado, pertencerá a quem souber transformar conhecimento em bem-estar coletivo. O desenvolvimento sustentável não é apenas um ideal ecológico, mas uma nova lógica econômica. Para isso, é necessário investir em mentes criativas, em instituições de ensino superior de qualidade e em políticas públicas que valorizem o saber e que estão seriamente preocupadas com as mudanças climáticas.

Mais do que um caminho, promover o desenvolvimento sustentável baseado no conhecimento é uma urgência histórica. É o elo entre o progresso econômico e a responsabilidade social, entre a inovação tecnológica e a preservação ambiental. E, sobretudo, é a certeza de que o conhecimento, quando guiado pela ética e pela solidariedade, pode ser a força que salvará o planeta e inspirará um novo modo de viver e de produzir.

Finalizando, estamos sofrendo com a crise climática global. Todavia, o conhecimento é uma dádiva e o ser humano merece o caminho do conhecimento para promover o desenvolvimento sustentável. Portanto, o saber como força transformadora do futuro é fundamental. A verdadeira riqueza das nações não está nos recursos que extraem da Terra, eu penso que o ouro do século XXI é o conhecimento.

Por fim, meus sinceros sentimentos as famílias e amigos das cinco vítimas do maior tornado no município de Rio Bonito de Iguaçu, no Paraná, Brasil. É muito triste! Que Deus conforte o coração de todos no momento tão doloroso.

 

(*) Paulo Galvão Júnior é economista paraibano, conselheiro efetivo do CORECON-PB, diretor-secretário do Fórum Celso Furtado de Desenvolvimento da Paraíba, apresentador do programa Economia em Alta na rádio web Alta Potência e colunista do site da Revista NORDESTE. WhatsApp para entrevistas e palestras: +55 (83) 98122-7221.
(**) Os conteúdos publicados pelos colunistas da revista NORDESTE são de inteira responsabilidade de seus autores.
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Ana Júlia Silva

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One thought on “O futuro se reconstrói com conhecimento: um chamado após a tragédia no Paraná, por Paulo Galvão Júnior

  1. MARCELO MEIRA LEITE 10 de novembro, 2025 at 17:26

    Faltou dizer que a China é país mais poluidor do mundo e que as emissões de gás carbônico daquele país são dezenas de vezes maiores do que as do Brasil. E que as baterias dos carros elétricos são bombas ambientais prontas a explodir. Vale a pena esse jornal fazer pesquisa e publicação sobre o assunto.

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