Dez anos após o Acordo de Paris, o WWF faz um apelo para que os líderes mundiais aproveitem a COP 30 — que acontece no Pará — como um ponto de virada para evitar uma crise climática.
Para a WWF, a conferência representa uma oportunidade única para apresentar um “pacote para a natureza” que a coloque como aliada no combate às mudanças climáticas, garantindo que sua proteção e a redução das emissões ocorram em paralelo.
O líder global de Clima e Energia da WWF e ex-presidente da COP20, Manuel Pulgar-Vidal, destacou que este é o momento de transformar palavras em ações. “As soluções já existem, mas precisam ser implantadas. Não podemos nos dar ao luxo de ter outro ciclo de promessas não cumpridas. A COP 30 deve enviar um sinal claro e inequívoco de que a era dos atrasos acabou”, afirmou, em comunicado.
Segundo a organização não governamental, o progresso no cumprimento do Acordo de Paris tem sido lento e insuficiente. Por isso, a WWF defende que governos, empresas e sociedade civil concentrem esforços em fechar três lacunas da ação climática global: mitigação, adaptação e financiamento.
Mitigação
Para avançar na mitigação climática, os países precisam apresentar planos mais ambiciosos, voltados à redução significativa das emissões globais de gases de efeito estufa. Na avaliação da entidade, também é essencial que cheguem a um consenso sobre um roteiro para a transição dos combustíveis fósseis — carvão, petróleo e gás — com marcos definidos, além de assumirem o compromisso de ampliar o uso de energias renováveis, conforme estabelecido na COP 28.
Adaptação
Segundo os ambientalistas da WWF, para cumprir as metas de adaptação, os países devem adotar indicadores do Objetivo Global de Adaptação e firmar um pacto para triplicar o financiamento destinado a essas ações, com prioridade aos países em desenvolvimento.
Financiamento
Em relação ao déficit financeiro, a solução, segundo a WWF, os líderes globais precisam assumir o compromisso de aumentar significativamente o subsídio para a ação climática. Os países devem cumprir a nova meta de financiamento climático de ao menos US$ 300 bilhões anuais até 2035, com acréscimo de US$ 1,3 trilhão, destinados aos países em desenvolvimento. Também é necessário incluir um plano de ação com metas anuais, indicadores claros e aumento das contribuições ao Fundo de Perdas e Danos.
Fundo Floresta Tropical para Sempre (TFFF)
A WWF destaca avanços no financiamento climático com o lançamento do Fundo Floresta Tropical para Sempre (TFFF), que garantirá recursos de longo prazo a países que preservam florestas nativas. O fundo prevê que povos indígenas e comunidades locais recebam pelo menos 20% dos pagamentos. A organização incentiva outras nações e instituições financeiras a ampliarem os investimentos iniciados por Brasil e Indonésia.
Segundo o diretor executivo da WWF-Brasil, Maurício Voivodic, a COP 30 deve ser lembrada como a COP da implementação, que “promoveu mecanismos de financiamento inovadores, como o Fundo Floresta Tropical para Sempre”.
Reestruturação da Agenda de Ação e nova Economia Verde
A organização defende ainda a reestruturação da Agenda de Ação, voltada à mobilização de governos, empresas e sociedade civil em torno das metas do Acordo de Paris. O novo plano quinquenal deve reforçar o papel da economia na transição verde.
A entidade propõe também a criação de um programa de trabalho sobre clima e natureza, alinhado ao Quadro Global de Biodiversidade da ONU, para garantir o cumprimento de compromissos assumidos nas COPs e avançar na meta de eliminar o desmatamento até 2030.
Kirsten Schuijt, diretora-geral da WWF International, ainda ressaltou que as decisões tomadas em Belém vão ditar o futuro do planeta. “As mudanças climáticas estão avançando mais rápido do que nós, não deixando nenhuma parte do planeta intacta”, concluiu.
Sobre a WWF-Brasil
A WWF-Brasil é uma ONG brasileira que há 28 anos atua coletivamente com parceiros da sociedade civil, academia, governos e empresas em todo país para combater a degradação socioambiental e defender a vida das pessoas e da natureza. Estamos conectados numa rede interdependente que busca soluções urgentes para a emergência climática.

