Por Paulo Galvão Júnior (*)
Nas últimas três décadas, a Polônia consolidou-se como um dos exemplos mais bem-sucedidos de transição de uma economia planificada para uma economia de mercado. Após o fim do regime comunista em 1989, o país da Europa implementou profundas reformas estruturais, ingressou na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 1996, na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em 1999 e passou a integrar a União Europeia (UE) em 2004, o que impulsionou sua modernização econômica.
Em 2025, os atuais líderes poloneses, sediados em Varsóvia, a capital da Polônia, buscam a adesão ao Grupo dos Vinte (G20) no ano de 2026, refletindo o crescimento acelerado e a crescente relevância global da economia do país no Leste Europeu. O G20 é composto por dezenove países membros, mais a UE e a União Africana (UA).
A Polônia de 1939 até 1994
A Polônia sofreu severamente no início da Segunda Guerra Mundial, sendo invadida pelas tropas nazistas em 1º de setembro de 1939, a partir da cidade portuária de Gdansk (então denominada Danzig, em alemão). O país permaneceu sob ocupação do Terceiro Reich até 8 de maio de 1945, período marcado por destruição em larga escala, perseguições, deportações e o extermínio de milhões de poloneses, incluindo grande parte da população judaica.
A ocupação nazista foi marcada por extrema repressão, trabalhos forçados, execuções em massa, terror e a aniquilação da população judaica, incluindo o Gueto de Varsóvia e os campos de extermínio, como Auschwitz, Auschwitz-Birkenau, Treblinka e Sobibor.
Posteriormente, esteve sob influência do regime comunista de 31 de julho de 1945, com a instalação do governo controlado pelo Partido Operário Unificado Polonês, até 4 de junho de 1989, quando ocorreram as primeiras eleições parcialmente livres, marcando o fim do comunismo no país.
Vale destacar também que a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), em 17 de setembro de 1939, invadiu também a Polônia, poucos dias após a Alemanha Nazista. A invasão soviética em território polonês foi realizada em cumprimento ao Pacto Molotov-Ribbentrop, em 23 de agosto de 1939 entre Adolf Hitler (Alemanha Nazista) e Josef Stalin (URSS). Esse pacto de não agressão militar incluía um protocolo secreto que dividia a Europa Oriental em esferas de influência, determinando que a Polônia fosse repartida entre os dois regimes totalitários.
A Polônia foi um dos países socialistas, uma das nações do Segundo Mundo. A República Popular da Polônia foi integrante do Pacto de Varsóvia, aliança militar criada em 1955 sob a liderança da URSS, com o objetivo de contrabalançar a influência da OTAN no início e durante a Guerra Fria.
A URSS, que liderava o bloco socialista, o bloco oriental, foi oficialmente dissolvida em dezembro de 1991, marcando o fim da Guerra Fria, da influência soviética e o surgimento de uma nova ordem política e econômica na Europa Oriental. Por exemplo, em 1975, o setor industrial era responsável por 48% do PIB polonês.
O principal líder da Polônia após o fim da República Popular da Polônia foi o eletricista, sindicalista e político Lech Wałęsa (1943), um dos fundadores do movimento sindical Solidariedade, na cidade portuária de Gdansk, no Mar Báltico, no norte do país, que desempenhou papel central na democratização da Polônia no início dos anos 1990.
O democrata e católico Lech Walesa liderou a greve no estaleiro Lênin em 1980, foi preso em domicílio em 1981 pelo ditador comunista, o general Wojciech Jaruzelski, em seguida, ele foi laureado com o Prêmio Nobel da Paz de 1983, e posteriormente, ele foi eleito o primeiro presidente da República da Polônia de 1990 e 1995.
A Polônia iniciou a abertura de sua economia em 1990, implementando reformas de transição da economia socialista para uma economia capitalista. O objetivo era reerguer a atividade econômica, profundamente afetada por 45 anos de planejamento centralizado e políticas comunistas dentro da Cortina de Ferro, promovendo liberalização, privatização de empresas estatais e integração com a economia global.
A economia polonesa enfrentou uma profunda recessão econômica no biênio 1990-1991, registrando uma queda do PIB de –11,9% em 1990 e de –7,6% em 1991. Essa contração foi consequência direta das reformas de transição econômica, conhecidas como Plano Balcerowicz, iniciado em 1 de janeiro de 1990, que visavam estabilizar o país após décadas de comunismo. As medidas incluíram liberalização de preços, redução de subsídios estatais, abertura ao comércio internacional, privatização em larga escala e estimular o investimento externo direto (IED), provocando um choque inicial, mas criando as bases para o crescimento sustentável observado nos anos seguintes.
O professor polonês Leszek Henryk Balcerowiz (1947) é um dos mais importantes economistas da Polônia, é o autor do plano econômico que transformou um país socialista em um país capitalista. A hiperinflação alcançou 567% no ano de 1990. A partir de 1992, a Polônia iniciou um crescimento econômico contínuo, tornando-se um dos casos de sucesso mais notáveis da transição pós-comunista na Europa.
Desempenho econômico polonês de 1994 a 2025
A Polônia possui 2.477 municípios (gminas), que são a menor divisão administrativa do país. Esses municípios estão distribuídos em 16 províncias (voivodias): Baixa Silésia; Cujávia-Pomerânia; Lublin; Lubusz; Łódź; Pequena Polônia; Masóvia (a maior província polonesa); Opole; Subcarpácia; Pomerânia; Santa Cruz; Vármia-Masúria; Grande Polônia; Silesia; Baixa Polônia; e Lembrze-Lublin.
A Polônia está localizada na Europa Central, tem uma área territorial de 312.696 quilômetros quadrados e faz fronteira com 7 países, que são: Alemanha, República Tcheca, Eslováquia, Ucrânia, Bielorrússia, Lituânia, e Rússia (através do enclave de Kaliningrado).
A economia polonesa vem apresentando crescimento consistente, tornando o país europeu um destino atraente para imigrantes em busca de melhores oportunidades de emprego e desenvolvimento profissional. A Polônia tem 38,2 milhões de habitantes, é seguro, além de um grande produtor de batatas, beterrabas, maçãs, framboesas, âmbar, vodka, aço, ônibus elétricos, navios e jogos digitais.
De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Produto Interno Bruto (PIB) da Polônia cresceu 3,1% em 2024, acumulando um aumento total de 25% desde 2018. A Polônia é o vigésimo dos 20 países mais ricos do mundo em termos de PIB nominal estimado para 2025, com base nas projeções do FMI, com PIB nominal de US$ 980 bilhões.
A Polônia, uma ex-economia comunista (1945-1989), é hoje considerada o “Tigre da Europa Oriental”, impulsionada especialmente pelos setores de tecnologia da informação (TI), manufatura avançada, automotivo e serviços financeiros, além do turismo, com vários pontos turísticos, como o Museu de Fryderyk Chopin, o Castelo Real, o Museu da Revolta de Varsóvia, o Palácio da Cultura e da Ciência, o Museu de Auschwitz-Birkenau, o Museu de Schindler, o Museu da Segunda Guerra Mundial, a Fonte de Netuno, o Museu Europeu do Solidariedade e o Estaleiro de Gdansk.
A Polônia recebeu 18,9 milhões de turistas internacionais no ano de 2024. Na Polônia, é possível aprender com seu rico legado histórico e cultural, transformando essas lições em alicerces para a construção de um futuro mais próspero, justo e sustentável. A liberdade constitui um valor fundamental para a população polonesa, e o idioma polonês mantém viva a identidade que une as atuais e futuras gerações na construção de uma nação independente, soberana e democrática.
A criação do grupo dos “Nove de Bucareste (B9)” é um projeto político de integração regional proposto pela Polônia junto à Romênia, em 2015, após as agressões russas na vizinha Ucrânia, em 2014. O B9 é formado por Polônia, Romênia, Bulgária, República Tcheca, Estônia, Hungria, Letônia, Lituânia, e Eslováquia. A Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022.
| Tabela 1: Principais indicadores econômicos da Polônia (2024) | |
| Indicador Econômico | Polônia (2024) |
| PIB nominal | US$ 870 bilhões |
| Taxa de Crescimento do PIB | 3,1% |
| PIB per capita | US$ 23.000 |
| Taxa de Inflação | 5,5% |
| Taxa de Desemprego | 2,9% |
| Taxa de Juros | 5,75% ao ano |
| Dívida Pública Bruta | 55,10% do PIB |
| Fontes: FMI, Banco Mundial, Banco Nacional da Polônia, Trading Economics e Eurostat. | |
As cinco maiores cidades da Polônia são Varsóvia, Cracóvia, Łódź, Wrocław e Poznań. São centros importantes não apenas da vida cultural e histórica, mas também da dinâmica econômica do país. A Polônia é reconhecida como um dos países mais católicos da Europa e é a terra natal do Papa João Paulo II (1920-2005), o primeiro papa polonês e o primeiro papa não italiano em 455 anos, e tornou-se um dos principais opositores do regime comunista na Polônia, destacando-se na luta contra a opressão e pela restauração da liberdade e da democracia no país.
Economicamente, a Polônia destaca-se como uma das economias emergentes mais robustas da Europa Oriental. Com um PIB que cresceu consistentemente nas últimas duas décadas, o país consolidou-se como um polo de inovação, especialmente no setor de TI, que é atualmente o segmento de crescimento mais acelerado. Além disso, sua localização estratégica e infraestrutura desenvolvida favorecem a indústria manufatureira, o setor automotivo e os serviços financeiros, tornando as principais cidades mencionadas núcleos fundamentais para o desenvolvimento econômico do país.
A integração da Polônia na UE desde 1 de maio de 2004 contribui para a estabilidade política e o ambiente favorável ao IED, impulsionando ainda mais seu crescimento econômico sustentável. Apesar de ser membro dos 27 integrantes da UE desde 2004, a Polônia ainda mantém políticas econômicas próprias. A Polônia ainda não adotou o euro como moeda oficial, mantendo o złoty por decisão política e econômica, principalmente para preservar autonomia monetária desde 1920.
O Banco Nacional da Polônia (BNP) é o banco central polonês. Foi fundado em 1945, após o fim da Segunda Guerra Mundial, sucedendo o antigo Bank Polski inaugurado em 1828. O BNP está localizado em Varsóvia e é responsável por emitir a moeda nacional (złoty polonês – PLN); conduzir a política monetária; garantir a estabilidade do sistema financeiro polonês; e gerir as reservas cambiais do país.
Considerações finais
Finalizando, o desempenho econômico da Polônia reflete uma combinação de estabilidade macroeconômica, inovação tecnológica e integração europeia. O país europeu soube aproveitar sua posição geopolítica estratégica e sua força de trabalho qualificada para atrair IED, além de enormes gastos militares. A Polônia é a maior força militar da UE e a terceira maior da OTAN.
A Polônia enfrenta enormes desafios, como o envelhecimento da população, o alcoolismo, a fuga de jovens, os elevados níveis de poluição resultantes da dependência da produção de energia a partir do carvão e os desdobramentos políticos, econômicos, militares, sociais e ambientais da Guerra na Ucrânia.
No ano em que a Polônia, a Europa, o Brasil e o mundo celebram o 80º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), é oportuno destacar que, com uma economia resiliente e uma trajetória de crescimento consistente, a Polônia, terra de Fryderyk Chopin (1810-1849) e de Nicolai Copérnico (1473-1543), consolida-se como um dos principais polos econômicos da Europa. Atualmente, é a sexta maior economia da UE e caminha para ocupar um assento entre as grandes potências econômicas globais, com potencial para integrar no G20.

