Por Luciana Leão
Líderes como Emmanuel Macron e o príncipe William confirmam presença; ausência de Trump reforça incertezas sobre compromissos globais
A COP30, que começa na próxima semana em Belém (PA), promete colocar o Brasil no centro das atenções mundiais sobre o clima. A cidade amazônica recebe 143 delegações e mais de 170 credenciados, num evento que discutirá financiamento climático, transição energética e a urgência de preservar florestas tropicais como a Amazônia — tema que permeia toda a agenda.
Entre as lideranças confirmadas estão o presidente da França, Emmanuel Macron, e o príncipe William, do Reino Unido. Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não deve comparecer, o que reforça o clima de incerteza em torno dos compromissos globais de redução de emissões e financiamento verde.
O Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) deve ser um dos principais anúncios. Idealizado pelo Brasil em parceria com países como a Indonésia, o mecanismo busca canalizar recursos internacionais para proteger biomas e destinar 20% dos investimentos diretamente a povos indígenas e comunidades locais.
“O TFFF nasceu da visão dos países que têm a floresta e entendem seu valor”, destacou o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, em entrevista coletiva, nesta sexta-feira, 31.
A ministra Marina Silva reafirmou que o Brasil pretende alcançar desmatamento zero até 2030 e consolidar uma transição energética justa, ampliando o uso de biocombustíveis e fontes limpas. Ela lembrou que quase 2 mil municípios enfrentam emergências climáticas recorrentes, como secas e enchentes, o que reforça a necessidade de políticas de adaptação.
“A COP30 na Amazônia é um chamado à consciência global. O Brasil quer mostrar que é possível crescer, proteger e inspirar o planeta”, disse Marina.
A escolha de Belém como sede simboliza a tentativa brasileira de recolocar a Amazônia no centro da diplomacia climática mundial, ressaltando tanto sua importância ecológica quanto sua realidade social — uma região 75% urbana, que enfrenta desafios de infraestrutura, saneamento e desigualdade.
A dubiedade da transição: petróleo na Foz do Amazonas
Enquanto a COP30 reforça o discurso da transição energética, o governo brasileiro enfrenta críticas por autorizar pesquisas de exploração na Foz do Amazonas, conduzidas pela Petrobras. A região, próxima à foz do Rio Amazonas, é uma das áreas de maior sensibilidade ambiental do país.
O Planalto justifica que a prospecção não implica exploração imediata, mas busca mapear reservas estratégicas para que o Brasil não dependa de outras nações durante a transição energética. O argumento, no entanto, divide opiniões. Ambientalistas veem contradição entre a defesa de uma economia verde e o avanço sobre novas fronteiras fósseis.
A tensão revela o duplo papel do Brasil no cenário climático: de um lado, líder do Sul Global e defensor da preservação da Amazônia; de outro, grande produtor de petróleo em busca de garantir segurança energética. O caso da Foz será observado de perto por delegações estrangeiras, como um teste de coerência entre discurso e prática.
Nos bastidores, diplomatas veem a COP30 como um teste de liderança para o Brasil. O país chega com avanços reconhecidos na agenda ambiental, mas também com cobranças sobre a capacidade de transformar compromissos em resultados concretos.
Belém, pela primeira vez, se torna palco das decisões que podem redefinir o futuro climático do planeta — e o desempenho brasileiro nesta COP será determinante para medir até onde o país pode ir como protagonista dessa transformação.

