Com apoio do Sebrae Pernambuco, cinco municípios da região ressignificam o legado da cana-de-açúcar e criam a Rota dos Engenhos & Arte, roteiro que une história, natureza e empreendedorismo local
Por Luciana Leão
Durante séculos, o corte da cana e o aroma do caldo fresco deram ritmo à vida na Zona da Mata Sul de Pernambuco. Agora, antigos engenhos e usinas redescobrem seu papel no território e transformam o passado em experiência turística. A Rota dos Engenhos & Arte, lançada pelo Sebrae Pernambuco, nesta quarta-feira (29) marca essa virada ao propor um novo olhar sobre a tradição canavieira.
O roteiro abrange cinco municípios — Água Preta, Escada, Palmares, Primavera e Ribeirão — e integra 30 empreendimentos turísticos e criativos. A expectativa é movimentar mais de R$ 1 milhão até 2028, gerar 200 novos empregos e atrair cerca de 20 mil visitantes à região.
A proposta vai além da visita aos casarões coloniais e paisagens rurais: ela valoriza o patrimônio histórico e cultural, a gastronomia típica, o artesanato e a natureza preservada. Cada parada da rota oferece experiências autênticas, com QR Codes que levam a vídeos e conteúdos exclusivos sobre os locais.
Para o superintendente do Sebrae Pernambuco, Murilo Guerra, a iniciativa é um passo importante para diversificar a economia regional.
“A Rota dos Engenhos & Arte amplia as oportunidades dos pequenos negócios e estimula o empreendedorismo em setores como turismo, economia criativa, agricultura familiar e serviços”, destaca.
Atrativos

Entre os atrativos, o Engenho Conceição, em Escada, preserva o casarão e a casa de farinha originais, e se destaca por produzir o primeiro chocolate pernambucano no conceito tree to bar, do plantio ao produto final.
Já o Engenho Preferência, em Primavera, impressiona pela arquitetura de 1919 e pela integração entre história e natureza, com trilhas, açude e cavalos de raça.
Em Palmares, o Engenho Paul mantém viva a memória do período colonial, com mobiliário e estruturas originais — como a senzala e o pelourinho —, além de um restaurante e eventos culturais que movimentam o espaço.

Em Água Preta, a antiga Usina Santa Terezinha se transformou na Usina de Arte, parque artístico-botânico de 40 hectares que abriga o maior orquidário do Nordeste e mais de 50 obras de arte ao ar livre.
Também faz parte da rota o Engenho Vênus, entre Palmares e Água Preta, onde nasceu o médico Nélson Chaves, patrono da Nutrição Pernambucana. Lá, visitantes podem conhecer a casa grande original, caminhar por trilhas na Mata Atlântica e visitar cachoeiras e mirantes.
Ribeirão completa o percurso com o Engenho Cachoeira e a Fazenda Faco, voltados à produção rural e experiências de turismo pedagógico. Os visitantes têm acesso a trilhas, redários, gastronomia, criações de búfalos e artesanato local.
Para a especialista em turismo do Sebrae, Kátia Georgina Alves, a rota simboliza um reencontro da região com suas origens.
“Ela conecta a história da cana com o futuro do turismo sustentável, gerando renda, experiências e orgulho para as comunidades”, resume.

