Projeto do MPOR quer criar uma “mini cidade” no entorno do aeroporto internacional do Recife

O Aeroporto Internacional do Recife (Gilberto Freyre) quer ir além de ser um espaço de embarque e desembarque. Com o novo plano anunciado pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), em parceria com a concessionária Aena Brasil e a Prefeitura do Recife, o entorno do terminal começa a ser desenhado como uma verdadeira “mini cidade”, com áreas destinadas a comércio, hotelaria, logística, transporte e serviços.

O pacote de R$ 640 milhões em investimentos foi anunciado nesta segunda-feira (27) pelo ministro Silvio Costa Filho, em evento no próprio terminal. A iniciativa combina desenvolvimento urbano e modernização da infraestrutura logística, com previsão de gerar 15 mil empregos diretos e indiretos em Pernambuco. Segundo o ministro, o projeto simboliza o papel estratégico do Nordeste na economia nacional.

“Investir em infraestrutura é aplicar no futuro do Brasil. Um aeroporto moderno é mais do que uma porta de embarque: é um motor de desenvolvimento econômico, de turismo e de oportunidades para a população”, afirmou.

O plano se divide em duas frentes principais: o Plano de Desenvolvimento Imobiliário, com aporte de R$ 580 milhões, e o Terminal Intermodal, que receberá R$ 60 milhões. As obras serão executadas pela Aena, com apoio do Governo Federal e da Prefeitura do Recife.

Um novo polo urbano para o Recife

O prefeito João Campos definiu o projeto como “disruptivo” para o futuro da cidade.“Estamos falando de uma expansão que integra turismo, serviços e logística. As obras vão transformar o Recife e consolidar o aeroporto como um ativo estratégico para a região”, disse o prefeito, que anunciou ainda a criação de um grupo permanente de trabalho para acompanhar a execução do plano.

O Plano de Desenvolvimento Imobiliário prevê o aproveitamento de 543 mil metros quadrados de áreas subutilizadas, com 1,3 milhão de metros quadrados de potencial construtivo para a instalação de centros logísticos, empreendimentos comerciais, hotéis e novos serviços urbanos — um modelo inspirado em zonas aeroportuárias internacionais que se tornam polos autossuficientes de negócios e lazer.

Já o Terminal Intermodal vai ampliar a integração entre modais de transporte, reunindo ônibus de turismo, vans, carros por aplicativo, ciclovia e áreas de convivência, além de cafés, lojas e banheiros acessíveis.

O projeto prevê também a requalificação da Praça Salgado Filho, mantendo o traçado de Burle Marx, e a restauração de murais de Lula Cardoso Ayres que celebram os ciclos econômicos de Pernambuco. As obras devem começar no segundo trimestre de 2026 e ser concluídas até o final de 2027.

Impacto regional

Para o secretário-executivo do MPor, Tomé Franca, a proposta “vai muito além da ampliação da capacidade aeroportuária”. “Estamos falando de uma transformação urbanística no entorno do aeroporto, que vai gerar mais empregos, mais negócios e mais oportunidades para o povo do Recife e de Pernambuco”, destacou.

O diretor-presidente da Aena Brasil, Santiago Yus, reforçou o impacto econômico do projeto: “Com a força do turismo e a vitalidade da economia regional, esse investimento vai impulsionar negócios e mudar a realidade econômica de toda a região.”

Com mais de 5 mil colaboradores atuando diariamente no aeroporto, o ministro Silvio Costa Filho lembrou que a modernização beneficiará toda a Região Metropolitana do Recife e citou os resultados do programa Investe + Aeroportos, que prevê R$ 4,5 bilhões em novos projetos, e do AmpliAR, com R$ 1,25 bilhão voltado a aeroportos do Norte e Nordeste. “O Brasil voltou a investir — e o Nordeste voltou a voar”, concluiu.

 

*Com informações do MPOR
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Luciana Leão

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