*José Natal
A realização de grandes eventos no Brasil, antes, durante e depois sempre são recheadas de grandes doses de suspense, expectativas e ansiedades sobre o resultado final, como foi o final da festa.
Antes do evento rola a expectativa sobre o que pode dar certo, e o que sinaliza que pode dar errado. Durante o acontecimento o improviso resolve o inesperado, e ao final, entidades públicas e privadas se estapeiam comemorando vitória ou lamentando derrotas.
De 10 a 21 de novembro próximo a cidade de Belém, capital do Estado Pará, vai sediar a 30º Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (Conferência das Partes – COP-30). O evento vai reunir autoridades civis de mais de 40 países para discutir o futuro do planeta, numa pauta que aborda a vida dos oceanos, as alterações da natureza, a vida dos animais e seus ambientes.
Também terá temas relacionados à emissão de gases do efeito estufa e a adaptação às mudanças do clima. No centro dos debates, a longa e eterna discussão sobre financiamentos e apoio financeiro dos países mais ricos as nações menos abastadas, e aquelas carentes de recursos técnicos e cuja mão de obra especializada simplesmente não existe.
A edição passada foi na cidade de Baku, no Azerbaijão, e recebeu críticas de toda ordem das entidades internacionais. O evento de agora acontece 30 anos depois da Rio-92, quando o Brasil reuniu o mundo preocupado com o meio ambiente, promovendo debates, seminários e dezenas de encontros entre as maiores autoridades que a época se debruçaram sobre essas questões. Projetos foram incrementados mundo afora após o evento, outros ainda estão nas gavetas da burocracia diplomática, quase sempre mal humorada quando a pauta é o meio ambiente.
O que se espera da COP-30 é bem mais do que o romantismo habitual da contemplação das belezas naturais da selva amazônica, seu verde colossal e do desfilar das aves coloridas, encantos que de fato seduzem.
O que se espera da conferência é que, de fato e com atitudes, as nações participantes encarem os problemas que de alguma forma afetam o ar que respiramos. Que se disponham a tirar dos cofres, cifras que possam ajudar países a combater a poluição, apoiar o agronegócio, instalar redes de esgotos em comunidades que se infectam contaminadas por águas podres e melhorias de ambientes insalubres, onde crianças e vermes ocupam o mesmo espaço.
A conferência será presidida pelo embaixador André Corrêa do Lago, que sem rodeios, e diante dos problemas que sabe terá que enfrentar, adianta que “será uma transição entre a diplomacia climática e a execução de políticas sustentáveis”. Sabe o embaixador que além dos problemas de ordem estrutural, como hospedagens, transporte, segurança, alimentação e mobilidade a habitual “saia justa política” também exigirá dele um malabarismo institucional sem nenhum conforto.
Para os menos atentos, basta lembrar os episódios recentes, envolvendo o Congresso Nacional e as medidas punitivas do Governo Lula, demitindo apadrinhados de políticos que votaram contra a recente MP emitida pelo Governo. A ministra Marina Silva, autoridade mundial da Conferência, com certeza receberá estilhaços desse tiroteio.
Otimista, e ao que tudo indica, o tocador de obra desse evento, o governador do Pará, Helder Barbalho não esconde a euforia pelo sucesso do evento, com pragmatismo. Tem o apoio da população, que segundo pesquisa recente deu a ele 82% de aceitação, manifestando concordância com um acontecimento que, além da projeção do Estado no momento atual, indica benefícios que serão alcançados pós congresso.
Para reforçar a estrutura do ambiente físico do Congresso, as cifras aplicadas são elevadas. Trinta e oito obras estruturais estão em andamento, algumas em fase de conclusão. Cálculos recentes apontam algo em torno de 980 milhões de reais já destinados, e sendo gastos na construção ou reparos de diversas unidades que serão utilizadas.
A escolha do estado paraense, no coração da Amazônia, teve a aprovação da maioria das nações convidadas, algumas com reclamações pontuais sobre preços elevados por estadia, refeições e mobilidade. Em reunião recente, numa prévia, ou ensaio como alguns chamaram o evento, o Governo Federal e entidades privadas que participaram da conferência fizeram ajustes finais, e projetaram problemas e possíveis soluções, caso a caso.
Devido ao universo esperado de visitantes e convidados, difícil não se preparar para o chamado plano B, caso algo não saia exatamente como o esperado. Mesmo porque se assim fosse, não seria no Brasil. O mundo espera bons resultados, os brasileiros também.
José Natal é Jornalista

