Em nota pública enviada ao site da revista NORDESTE, a organização350.org para a América Latina e Caribe refuta a liberação da licença para perfuração exploratória de petróleo no bloco FZA-M-59, na bacia sedimentar da Foz do Amazonas.
Como anfitrião da principal conferência climática da ONU, a COP30 em Belém, o governo brasileiro ignora os alertas da comunidade científica, compromissos internacionais e, sobretudo, as vozes dos povos e comunidades que vivem e protegem a Amazônia há séculos, diz o comunicado.
“A liberação da licença para perfuração na Foz do Amazonas não apenas ameaça ecossistemas críticos, mas também repete a lógica que nos trouxe à beira do colapso climático. Autorizar novas frentes de petróleo na Amazônia não é apenas um erro histórico, é insistir em um modelo que não deu certo. A história do petróleo no Brasil mostra isso com clareza: muito lucro para poucos, e desigualdade, destruição e violência para as populações locais. O país precisa assumir uma liderança climática real e romper com esse ciclo de exploração que nos trouxe até a crise atual. É urgente construir um plano de transição energética justa, baseado em renováveis, que respeite os povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos, e que garanta a eles o papel de protagonistas nas decisões sobre clima e energia, inclusive na COP30.”, afirma Ilan Zugman, diretor da 350.org para a América Latina e Caribe.
Segundo Zungman, “não haverá futuro próspero nem seguro se continuarmos ignorando aqueles que mais protegem a floresta e mais sofrem os impactos da crise climática. Essa transição precisa ser justa e participativa, rompendo com o modelo predatório e concentrador de poder que marcou a história da Amazônia e do setor energético no Brasil”.
No comunicado, a organização faz um chamado aos povos tradicionais, movimentos sociais, cientistas, lideranças políticas e todos os setores comprometidos com a justiça climática a se unirem para reverter essa decisão e pressionar o governo brasileiro e do mundo.
“É preciso exigir não apenas o cancelamento desta e de novas explorações de petróleo na Amazônia, mas também a construção coletiva de um plano de transição energética que garanta respeito aos territórios indígenas, quilombolas e ribeirinhos; assegure protagonismo dessas comunidades nas decisões sobre energia e clima; priorize energia limpa e descentralizada, construída para o bem-estar das pessoas e não para os lucros de poucos. Agora é hora de agir. É preciso traçar uma linha clara: Delimite pelo planeta, pelas pessoas e pelo futuro! O Brasil deve escolher a vida e a justiça climática, não o lucro e a destruição”, finaliza a nota.


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