Líder opositora ignora risco de tragédia humanitária e tenta pressionar Lula a adotar discurso intervencionista dos EUA
247 – A líder opositora María Corina Machado, recém-premiada com o Nobel da Paz, concedeu entrevista à Folha de S.Pauloem que reforça o alinhamento com a agenda militar de Donald Trump contra a Venezuela, ignorando os riscos de uma nova tragédia regional. A opositora voltou a elogiar as ações militares norte-americanas no mar do Caribe, que já provocaram dezenas de mortes, e afirmou que “o presidente Trump está fazendo muito para que [a queda de Maduro] aconteça”.
Na conversa, Corina — que vive em local secreto, supostamente em território venezuelano — tenta transformar a sua premiação em instrumento político para justificar o uso da força estrangeira. Ao mesmo tempo, pressiona o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a adotar um discurso contrário à tradição diplomática brasileira.
“Seria muito útil que o presidente Lula dissesse a Maduro que chegou a sua hora de ir embora”, afirmou.
Alinhamento com Trump e defesa da intervenção
Corina apoiou publicamente as operações militares dos Estados Unidos no Caribe, iniciadas sob o comando direto de Trump, que resultaram na morte de quase 30 pessoas sob a alegação de combate ao narcotráfico. Ela também minimizou a revelação de que a CIA recebeu autorização presidencial para conduzir ações secretas em solo venezuelano, alegando desconhecimento e insistindo que se trata de uma “operação antinarcóticos”.
A retórica de Corina reflete a narrativa clássica de Washington: rotular governos contrários a seus interesses como “narcoterroristas” para legitimar intervenções militares. Ao ecoar esse discurso, a nova Nobel da Paz se distancia dos princípios que a própria honraria simboliza e reforça a dependência política de parte da oposição venezuelana em relação aos EUA.
O discurso da “libertação” e a negação da soberania
Na entrevista, Corina classificou o governo de Nicolás Maduro como “regime criminoso” e defendeu que “os países da região, com a liderança do presidente Trump, ponham fim a ele”. A formulação, que associa a figura de Trump à de um “libertador” do continente, revela o caráter intervencionista de sua agenda e ignora o histórico de tragédias humanitárias causadas por ações unilaterais dos EUA em outros países.
Ao insistir em que “não há lugar para neutralidade” e que “a história será implacável com o silêncio”, Corina tenta impor ao Brasil e aos países sul-americanos uma política externa de alinhamento automático com Washington — contrária ao princípio de autodeterminação dos povos que orienta a diplomacia brasileira desde o governo Getúlio Vargas.
Lula defende o diálogo e a estabilidade regional
Enquanto Corina defende a escalada militar, o presidente Lula tem reiterado em diferentes fóruns internacionais a necessidade de uma saída diplomática e pacífica para a crise venezuelana, baseada na soberania e no diálogo entre as partes. O governo brasileiro rejeita qualquer solução imposta de fora e considera que o uso da força agravaria o sofrimento do povo venezuelano e ampliaria a instabilidade na América Latina.
Em conversas recentes com Trump, Lula enfatizou que qualquer ataque militar à Venezuela fortaleceria o crime organizado e o tráfico de drogas, além de provocar o colapso político de toda a região. A posição brasileira, compartilhada por governos como o da Colômbia, México e Chile, é a de que somente o diálogo e as eleições soberanas podem conduzir o país vizinho à normalidade democrática.

