As cidades têm histórias pra contar, e as comunidades que nelas vivem cuidam desses detalhes como se fossem jóias preciosas, algo a se preservar. Em 31 de janeiro de 1956, eleito Presidente da República, Juscelino Kubitschek de Oliveira, nascido em Diamantina, Minas Gerais, em 12 de setembro de 1902, assinou a Lei 2.874, criando a Companhia Urbanizadora da Nova Capital da República – Novacap, dando a ela plenos poderes para iniciar as obras da construção de Brasília, nova sede do Governo Federal e seus ministérios.
Após quatro anos de uma movimentação intensa de máquinas e gente, a cidade projetada por Oscar Niemeyer e Lúcio Costa ganhou forma e vida, e em 21 de abril de 1960 o Presidente Kubitschek entregou ao País a Nova Capital, transferindo a sede do Governo do Rio de Janeiro para o Centro – Oeste. Juscelino foi eleito Presidente da República alcançando 35,6% dos votos, apoiado por seis partidos, derrotando o candidato da UDN, Juarez Távora, que obteve 30% dos votos apurados.
Juscelino assumiu o Governo investindo na indústria automobilística, revolucionando a economia e enfrentado críticas sobre a alta da inflação. Adotou uma política arrojada e prometeu ao Brasil avanços determinados, com o lema ” 50 anos em 5 “, e suas medidas causaram impactos. Brasília, para muitos brasileiros, e entidades internacionais, foi considerada a obra do século, devido a sua inovação, arrojo e modernidade.
O nome Kubitschek ganhou manchetes mundo afora e a política brasileira gerou frisson e polêmica em toda a mídia. Sessenta e cinco anos depois da inauguração da nova Capital da República do Brasil, o nome Kubitschek volta ao cenário na figura do jovem bisneto de Juscelino e Sarah Kubitschek, André Octávio Kubitschek Barbará Alves Pereira, escolhido pelo Governador Ibaneis Rocha como Secretário da Juventude, com a missão de incrementar a política educativa da população jovem da cidade.
Com 32 anos de idade, formado em administração em uma universidade americana, e em direito pelo Centro Universitário de Brasília (CEUB), o herdeiro do nome do fundador da cidade, a exemplo do bisavô, manifesta ambições políticas e aos mais próximos não esconde que após sua passagem pelos gabinetes da administração pública – deverá ficar 5 meses no cargo – a intenção é, pelo menos, buscar nos ensinamentos do mais ilustre dos familiares, sustentação e argumentos para outros palanques. André é filho do empresário Paulo Octávio, presidente do PSD local, e de Anna Christina Kubitschek.
O secretário nasceu em 17 de fevereiro de 1993, 17 anos após a morte de JK, e desde que se viu antenado ao meio político, e a automática ligação de nome ao fundador da cidade, as manifestações em seguir na mesma direção ficaram evidentes. Correligionários, e até mesmo aqueles que hoje são adversários de legendas e ideologias, adotam a postura de respeito ético e entendimento profissional na avaliação do que o futuro poderá reservar às pretensões do jovem Kubitschek.
O legado do nome Kubitschek, em diferentes setores da sociedade civil é uma realidade de difícil contestação, e a maturidade de seus 65 anos de existência credencia a Capital da República como, até os dias de hoje, democraticamente
bem amparada por seus representantes no parlamento local, e nacional.
José Natal
Jornalista

