“Genealogia da Mulher Pernambucana” homenageia Edwiges de Sá Pereira, com lançamento na Bienal Internacional do Livro

A advogada e poeta Andrea Almeida Campos lança, na próxima sexta-feira (10), o livro Genealogia da Mulher Pernambucana — das origens à primeira metade do século 20, durante a 15ª Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, no Centro de Convenções, em Olinda. A obra recupera o protagonismo das mulheres na história do Estado e presta homenagem a Edwiges de Sá Pereira, primeira mulher a ocupar uma cadeira na Academia Pernambucana de Letras e a integrar a Associação da Imprensa de Pernambuco (AIP).

O lançamento acontece às 19h, no estande da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), que apoiou institucionalmente o projeto. Fruto de mais de uma década de pesquisa iniciada em 2010, o livro reúne manuscritos, discursos e livros raros de autoria feminina, muitos deles localizados no acervo da própria Fundaj.

Publicada pela Editora Conhecimento, a obra de 120 páginas (R$ 50) apresenta perfis biográficos e verbetes sobre personagens como Dona Brites de Albuquerque, Dandara dos Palmares, Bárbara de Alencar, Hermina de Carvalho Menna da Costa e Fédora do Rêgo Monteiro, entre outras mulheres que atuaram em diferentes campos — da política e literatura à fotografia e medicina. Ao todo, são mais de 15 personalidades que contribuíram para a memória e a história pernambucanas.

O livro inclui ainda um artigo de reflexão e um anexo com texto inédito de Edwiges de Sá Pereira, jornalista que colaborou com o Diario de Pernambuco e o Jornal do Commercio, além de periódicos do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e outros estados.

“É um ponto de partida. Uma tentativa de trazer à luz mulheres que ocuparam lugares essenciais da história de Pernambuco. A ideia é despertar novas pesquisas e inspirar outras pessoas a conhecerem e valorizarem essas trajetórias”, afirma Andrea Campos. O lançamento contará com a participação da professora doutora Alexandrina Sobreira, pesquisadora titular da Fundaj, como debatedora.

Um percurso de pesquisa e memória

A gênese do livro remonta a 2010, quando Andrea recebeu de Hebe de Sá Pereira, sobrinha direta de Edwiges, um exemplar do raro Pernambucanas Illustres, de Henrique Capitolino, publicado em 1879. “Senti que estava diante de uma missão. A partir dali, comecei a reunir nomes e histórias de mulheres que, como ela, moldaram o pensamento e a cultura de Pernambuco”, conta a autora, que é sobrinha-bisneta da homenageada.

O projeto amadureceu ao longo dos anos e ganhou novo impulso em 2015, quando Andrea foi convidada pela Comissão da Mulher Advogada da OAB-PE para falar durante a solenidade da Medalha do Mérito Heroínas de Tejucupapo, mulheres também lembradas no livro. O discurso, que percorreu as origens das mulheres pernambucanas até o século XX, transformou-se no embrião da obra.

Durante o período em que foi pesquisadora visitante na Universidade Paris 8, no Laboratoire d’Études de Genre et de Sexualité (LEGS), em 2024, Andrea retomou o manuscrito e deu continuidade ao texto. “Ao retornar ao Brasil, contei com o apoio da Fundaj, onde realizei consultas no acervo do Centro de Documentação e Pesquisas Sociais, essenciais para concluir a obra”, explica.

“O acervo da Fundaj me permitiu acessar documentos, registros e nomes de mulheres praticamente esquecidas. Foi um trabalho de reconstituição da presença feminina nos espaços históricos, literários e institucionais de Pernambuco”, acrescenta.

Atualmente pesquisadora de pós-doutorado da Fundaj e professora colaboradora da Escola Superior do Ministério Público da União, Andrea é autora de outros livros, como Estupro no Brasil e O Que Não Quer a Mulher: Estudos em Direito, Literatura e Psicanálise. Com Genealogia da Mulher Pernambucana, reafirma seu compromisso com a preservação da memória e a valorização da mulher como agente histórico.

Com o tema “Ler é sentir cada palavra”, a 15ª Bienal Internacional do Livro de Pernambuco celebra 30 anos de história e reforça seu papel como o maior evento literário do Nordeste. O lançamento integra a programação da Fundaj, que nesta edição destaca o protagonismo feminino e o incentivo à pesquisa sobre identidade e memória.

Sobre Edwiges de Sá Pereira

Edwiges de Sá Pereira (1884–1958) foi educadora, escritora, jornalista, poetisa e ativista feminista pernambucana. Professora catedrática da Escola Normal, atuou como superintendente dos grupos escolares de Pernambuco, incumbida pelo governador Sérgio Lorêto de propor um plano de reforma do ensino.

Na década de 1920, empreendeu sozinha uma viagem pelo Brasil para conhecer os melhores projetos educacionais do país. Foi sufragista, colaborando com Bertha Lutz na luta pelos direitos políticos das mulheres.

Em 1920, tornou-se a primeira mulher a integrar uma Academia de Letras no Brasil e a primeira jornalista a se inscrever na Associação de Imprensa de Pernambuco (AIP).

Serviço
Lançamento do livro Genealogia da Mulher Pernambucana — das origens à primeira metade do século 20
Autora: Andrea Almeida Campos
Quando: Sexta-feira, 10 de outubro, às 19h
Onde: Estande da Fundação Joaquim Nabuco — 15ª Bienal Internacional do Livro de Pernambuco
Editora: Conhecimento | 120 páginas | R$ 50

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Luciana Leão

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