A ofensiva resposta de Caiado a Ciro Nogueira mostra a divisão da direita bolsonarista.
Os projetos pessoais dos que se imaginam sucessores do presidente Lula — Tarcísio, Zema, Ratinho, Caiado — se chocam e revelam o óbvio: nenhum deles tem projeto nacional.
Parece um grupo abatido por uma mesma síndrome: a Bolsonaro-dependência.
Com o crescimento de Lula — após a defesa da Justiça Tributária, a reafirmação da soberania nacional, os elogios de Trump, o apoio ao acordo de paz em Gaza e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil — a ansiedade e a agonia desse campo aumentaram.
Caiado chegou ao ponto de afirmar que Ciro está derrotado no Piauí, chamando-o de “quase ex-senador”.
O tom revela tudo: raiva, virulência e uma divisão profunda na direita bolsonarista.
O fato é que, se Caiado, Zema, Tarcísio ou Ratinho tentarem se apresentar como alternativas ao candidato de Bolsonaro, terão extrema dificuldade em se posicionar numa eleição nacional.
Fora da órbita bolsonarista, perdem a base radical; dentro dela, não têm espaço para crescer.
É a armadilha perfeita: uma direita aprisionada pelo seu próprio líder, incapaz de se reinventar e de falar ao Brasil real.
Caiado pode, inclusive, repetir — ou até piorar — o desempenho que teve na eleição presidencial de 1989, quando enfrentou Lula, Collor, Ulysses, Covas, Afif e outros, e terminou sem expressão nacional.
Aliás, vale rever uma das grandes invertidas que Lula deu em Caiado naquela primeira eleição direta pós-ditadura — um momento que continua atual.
O tempo passa, mas a política ensina: quem não evolui, velho ou novo, repete os mesmos erros.

