Por Luciana Leão
O índice global de preços de alimentos registrou uma leve queda em setembro, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira, 3, pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). A redução foi impulsionada principalmente pelo recuo nos preços do açúcar e dos laticínios, reflexo de colheitas abundantes e de maior concorrência internacional.
O açúcar teve queda de 4,1%, alcançando o menor nível desde março de 2021. O movimento foi puxado pela produção acima do esperado no Brasil, maior exportador mundial da commodity, além de boas perspectivas na Índia e na Tailândia. Confira dados da análise do Ministério da Agricultura e Pecuária em Agosto de 2025
No cenário brasileiro, duas regiões se destacam: o Centro-Sul, responsável por mais de 85% da produção nacional, com forte concentração em São Paulo e Minas Gerais; e o Nordeste, que mantém no açúcar uma de suas principais commodities históricas e econômicas, especialmente em estados como Pernambuco, Alagoas e Paraíba.
Mesmo representando parcela menor da produção atual, o Nordeste segue estratégico pela tradição canavieira, pela geração de empregos locais e pelo papel crescente em exportações.
Os laticínios também recuaram 2,6% no mercado internacional, com destaque para a queda de 7% nas cotações da manteiga, diante da menor demanda no Hemisfério Norte e do aumento da produção na Oceania.
Entre os cereais, os preços do trigo, milho e arroz também caíram, influenciados pelas safras abundantes no Brasil, Estados Unidos e Argentina.
A FAO projeta que a produção global de cereais em 2025 alcance 2,971 bilhões de toneladas, o maior crescimento anual desde 2013.
Na contramão dessa tendência, as carnes registraram alta de 0,7% em setembro, com destaque para a bovina, que atingiu preços recordes no mercado internacional. O Brasil, grande exportador do produto, viu suas cotações subirem em meio à forte demanda global, mesmo diante das tarifas mais altas impostas pelos Estados Unidos.

