A morte de uma terceira vítima por intoxicação causada por bebidas adulteradas com metanol foi confirmada nesta segunda-feira (29) em São Paulo. Outras pessoas permanecem internadas em estado grave, segundo autoridades de saúde.
O caso acendeu um alerta nacional de saúde pública e reacendeu o debate sobre a falsificação de produtos alcoólicos no Brasil.
Em nota, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) manifestou “profunda preocupação” com a situação e se solidarizou com as famílias das vítimas. A entidade destacou que a falsificação e adulteração de bebidas configuram crimes graves contra o consumidor e que o problema exige uma ação coordenada entre autoridades, setor produtivo e sociedade.
“Estamos diante de uma tragédia que expõe a fragilidade da fiscalização e a ousadia do crime organizado. O consumidor precisa estar atento a sinais de adulteração, mas o poder público precisa reforçar sua atuação para evitar que produtos clandestinos circulem no mercado”, afirmou Tony Sousa, presidente da Abrasel em Pernambuco.
Segundo a entidade, bares e restaurantes devem redobrar a atenção na compra de bebidas, priorizando distribuidores reconhecidos e confiáveis. A recomendação está em linha com orientação do Ministério da Justiça, que pede a suspensão imediata da venda de bebidas suspeitas e a comunicação às autoridades. Lacres tortos, erros de impressão em rótulos, preços muito abaixo da média e odor semelhante a solventes são alguns dos sinais de adulteração.
Especialistas também apontam que a alta carga tributária sobre bebidas pode estimular o contrabando e a falsificação. “A carga tributária elevada tende a estimular o contrabando e a falsificação, ampliando os riscos à saúde e à segurança dos consumidores”, disse o advogado Percival Maricato, colaborador da Abrasel.
Para Paulo Solmucci, presidente nacional da entidade, medidas punitivas ao consumidor não resolvem o problema. “O combate ao abuso de álcool deve ser feito por meio de educação e campanhas de conscientização, e não por medidas que penalizam os consumidores, especialmente os de menor poder aquisitivo, e favorecem práticas criminosas.”
A Abrasel afirma estar à disposição para colaborar com as autoridades na construção de soluções que fortaleçam a segurança dos consumidores e protejam os estabelecimentos regulares do setor de alimentação fora do lar.

