MME e EPE lançam Portal Brasileiro de Hidrogênio para ampliar informações estratégicas sobre o setor

Por Luciana Leão*

Estimativas da Hydrogen Council, consórcio de multinacionais interessadas na expansão do hidrogênio, apontam que a demanda global por hidrogênio deve aumentar cinco vezes até 2050. Em todo o mundo, o cálculo é de mais de 1.500 iniciativas de hidrogênio limpo em andamento, crescimento de sete vezes em três anos.

De olho nesses potenciais, o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) lançaram no início da semana passada o Portal Brasileiro de Hidrogênio. A plataforma pública on-line pretende ampliar informações estratégicas sobre o setor de hidrogênio no Brasil e atrair novos investidores.

Dos investimentos anunciados em todo o mundo, a América Latina é a que concentra o segundo maior volume: US$ 107 bilhões. E, nesse ponto, o fato de o Brasil se destacar pelo uso de energias renováveis aumenta as expectativas do setor sobre a produção do hidrogênio verde.

Atualmente, os países com maiores projetos de produção de hidrogênio verde no mundo são Alemanha, Arábia Saudita, Austrália, China, Chile, Espanha e Holanda.

Ceará concentra maior parte dos projetos no Brasil

A Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV) destaca cinco projetos vinculados ao grupo que tem maior potencial econômico. Eles são liderados pelas empresas Fortescue, Casa dos Ventos, Atlas Agro, Voltalia e European Energy. Incluem produção de fertilizantes nitrogenados, amônia e metanol.

Para 2026, a expectativa é de 63 bilhões de investimentos para início dos projetos. A maior parte dos projetos está concentrada no Complexo de Pecém, no Ceará. Mas há outros em Uberaba, em Minas Gerais, e no Porto do Suape, em Pernambuco.

“O que a gente pode dizer é que o hype do hidrogênio verde, da amônia e do metanol passou e agora a gente tem projetos reais, assentados, que estão trabalhando seus fluxos de caixa, organizando as finanças para poder se colocar de pé. Então, o momento que a gente está passando é o momento em que você separa projetos fictícios de projetos reais”, disse Fernanda Delgado, diretora da ABIHV.

“A gente começa a ter todo esse ecossistema montado, enquanto as empresas vão tomando sua decisão final de investimento e o Brasil deve começar a ter produção de amônia e metanol por volta de 2029 ou 2030”, complementou.

Desafios

Apesar de todo o potencial e do avanço das pesquisas, a implantação do hidrogênio verde ainda tem uma série de desafios pela frente.

Entre os principais, costumam ser destacados pelos especialistas do setor: custos altos de produção por causa da infraestrutura e equipamentos (eletrolisadores) caros; falta de infraestrutura logística para transporte e armazenamento; necessidade de marco regulatório e tributário claro para atrair investimentos; e dependência do acesso à água para a eletrólise.

Como se obtém o hidrogênio verde

O hidrogênio verde é obtido a partir de energias renováveis, como as de matriz hidrelétrica, solar e eólica. De maneira simplificada, o processo envolve usar eletricidade em tanque de água (H₂O) para separar as moléculas de hidrogênio (H₂) e oxigênio (O₂).

O hidrogênio obtido pode ser transformado em combustível para aviões, embarcações e caminhões; para produção de amônia (NH3), principal matéria-prima de fertilizantes nitrogenados usados na agricultura; e para a fabricação do aço.

 

 

*Com Agência Brasil
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Luciana Leão

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