Como a alocação de recursos ajuda a evitar erros nos investimentos, por Guilherme Pedrosa

Por Guilherme Pedrosa*

 

As bolsas de valores ao redor do mundo vêm registrando máximas históricas, e muitos investidores se questionam por que não participaram desse movimento. A sensação de ter ficado de fora é, de fato, frustrante, mas existe uma estratégia capaz de reduzir esse risco e tornar os resultados mais consistentes ao longo do tempo: o asset allocation.

O termo refere-se à prática de dividir os investimentos em diferentes classes de ativos, como renda fixa e renda variável, de acordo com o perfil de risco do investidor, buscando equilibrar exposição e retorno. Essa disciplina é adotada amplamente por fundos de investimento e investidores institucionais, justamente por permitir maior estabilidade em cenários de volatilidade.

Para exemplificar, imagine um investidor que definiu, junto ao seu assessor, uma alocação de 30% em ações e 70% em renda fixa. Caso o mercado de ações caia, a carteira naturalmente passará a ter menor peso em renda variável e maior em renda fixa.

Seguindo a disciplina do asset allocation, o investidor deverá realocar parte dos recursos da renda fixa em ações, recompondo o percentual original. O inverso ocorre quando a bolsa sobe: realiza-se parte do ganho e reforça-se a posição em renda fixa.

Esse mecanismo faz com que, ao longo do tempo, o investidor compre ações em momentos de baixa e venda em momentos de alta, de forma sistemática. Assim, em vez de depender da sorte ou da tentativa de prever o exato momento do mercado, ele se beneficia da disciplina e da constância.

Um estudo da gestora global Franklin Templeton reforça essa importância: em um horizonte de 20 anos (equivalente a 5.036 pregões), um investidor que perdeu apenas os 10 dias de maiores altas teria obtido um retorno 50% inferior ao daquele que permaneceu investido durante todo o período.

Portanto, mais do que buscar antecipar movimentos de mercado, a adoção de uma estratégia de asset allocation mostra-se fundamental para potencializar retornos no longo prazo. Não à toa, ela é considerada uma das ferramentas mais relevantes no universo dos investimentos profissionais.

 

*Head de Renda Variável na Pequod Investimentos
** Os artigos de opinião são de responsabilidade de seus autores

 

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Luciana Leão

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