Quem mora na vila e conhece os caboclos, deve se lembrar. Nas últimas eleições municipais, Gilberto Kassab, Presidente Nacional do PSD, não concorreu a nada, e ganhou tudo. Habilidoso com as palavras, profundo conhecedor do mundo político brasileiro, Kassab acumula títulos e conquistas de cargos com justo merecimento, e competência. Até os adversários reconhecem isso, e lamentam.
Bem articulado, distante de tudo que pareça submissão, aos 65 anos, com tempo de estrada invejável e agora, mais afiado do que nunca, seus primeiros sinais de ativismo no setor já começam a incomodar. E nesse universo a pesquisar, é claro que Brasília, capital da república, não ficaria de fora do radar do Presidente Nacional do PSD.
Sua última manifestação, de grande impacto político, embora ainda dita com ressalvas, foi um feito em Brasília, onde com todas as vírgulas convidou o ex-governador José Roberto Arruda a disputar uma vaga de deputado pelo seu partido em 2026, caso Arruda consiga de vez liberação da justiça para participar das eleições. O convite, na verdade, verbalizado pelo presidente do PSD de Brasília, Paulo Octávio, traz ingredientes importantes para o rebuliço político da Capital.
Primeiro porque Arruda é filiado ao PL, partido de Bolsonaro, com o qual não se tem notícias de qualquer apreço ou afeto entre as partes. Politicamente, creio eu, l eram cartilhas diferentes ao longo da história. Nada impede, porém, que venha desse convite uma nova perspectiva sobre os dias futuros da vida política da cidade.
A possibilidade de se ter José Roberto Arruda novamente em campo, e entrando em bola dividida em um jogo onde muitos já contam favas contadas a favor do grupo de Ibaneis Rocha, joga lenha na fogueira e espalha faíscas que podem chamuscar positivamente a disputa. Caso Arruda se livre das amarras da justiça, e se habilite a disputar o pleito, nada mais será como antes.
Mesmo que venha dele a decisão de nada disputar, a nada se candidatar, o cenário que hoje se avizinha, praticamente imbatível aos grupos de Rocha, com certeza terão que melhor se organizar, eleição não será de época.
Arruda, mineiro de Itajubá, engenheiro elétrico, começou suas atividades profissionais junto a Companhia Elétrica de Brasília (CEB), e cedo se notabilizou pela competência, e ao ingressar na política teve carreira meteórica. Foi Deputado Federal de 2003 a 2007, e depois senador de 1995 a 2001.
Eleito Governador dirigiu a cidade de 2007 a 2010, quando saiu após complicações com a justiça. Atualmente, aguarda decisão judicial para decidir se volta à atividade política, ou se de vez se aposenta da vida pública. Desde seu afastamento do cargo de Governador, Arruda trava uma batalha judicial com a Procuradoria da Justiça, se defende de acusações e em muitas delas foi inocentado.
No meio político, o gesto de Kassab e de Paulo Octávio, abrindo perspectivas para que Arruda volte ao cenário de competição partidária na capital do País, sinaliza que ainda há sobre ele um determinado voto de confiança, e segundo pesquisas, com um apoio comprovado da opinião pública.
A corrida sucessória de 2026, após as decisões do Supremo Tribunal Federal, condenando integrantes de um golpe de estado, afetou, de alguma forma, o ambiente político de todo o país, e em especial em Brasília, centro nervoso de todas as decisões que interessam o país. Logicamente, a sucessão política reflete em todos os segmentos da Capital Federal, e as possíveis alterações no quadro eleitoral que se avizinha interessa, e muito, a todo o Brasil.
Sabidamente, Arruda, mesmo com um curto período após eleito Governador de Brasília tem nome lembrado com frequência pela comunidade. Para muitos, Arruda foi o melhor tocador de obras da cidade, tem empatia e saudável comunicação com a comunidade e, em alguns setores, sua imagem é preservada com evidente aceitação.
José Natal
Jornalista

