A Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) obteve neste mês de setembro a Licença de Instalação para a usina de dessalinização Dessal, em Fortaleza. O documento, emitido pela Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), atesta que o projeto atende às exigências ambientais e pode seguir para a próxima etapa.
O passo seguinte será a liberação do alvará de construção pela Prefeitura de Fortaleza, condição necessária para o início das obras. Segundo a Cagece, a expectativa é que o canteiro esteja em funcionamento ainda neste ano.
“Temos ainda alguns condicionantes que serão cumpridos no transcorrer do início das obras, como o Plano Básico Ambiental, gerenciamento de resíduos da construção civil e proteção da fauna e flora marinha”, afirmou José Carlos Asfor, diretor de Engenharia da Cagece.
De acordo com Silvano Porto, especialista em dessalinização e coordenador do projeto, a Semace estabeleceu 65 condicionantes para a licença, a maioria já prevista pela companhia. “Com a Licença de Instalação, a Cagece dará prosseguimento à finalização do processo de cessão do imóvel da União onde a Dessal será instalada”, explicou.
O terreno está sob análise da Superintendência de Patrimônio da União (SPU), responsável também por autorizar a passagem dos dutos na faixa de areia da Praia do Futuro e, posteriormente, o uso do espelho d’água no mar. A previsão é que as obras durem cerca de dois anos após todas as liberações.
Impasse com as teles
O projeto, no entanto, já enfrentou resistência de empresas de telecomunicações instaladas na Praia do Futuro. Elas alegam que a instalação da usina pode trazer riscos aos cabos submarinos que fazem de Fortaleza um dos principais hubs de conexão digital entre o Brasil, a África e a Europa.
A Cagece, por sua vez, defende que o desenho do projeto considera medidas de segurança ambiental e tecnológica para evitar impactos.
Capacidade e operação
Com tecnologia de osmose reversa, a Dessal do Ceará terá capacidade de produzir 1 metro cúbico de água por segundo. A planta será acionada em momentos de escassez hídrica, reforçando a segurança no abastecimento da Região Metropolitana de Fortaleza.
A água dessalinizada será destinada prioritariamente ao consumo humano. Já o sal remanescente será lançado em duto submarino projetado para diluição rápida, minimizando os impactos ao ambiente marinho, segundo a companhia.

