Papo de Economia: Brasil, potência do agronegócio mundial, por Paulo Galvão Júnior

Por Paulo Galvão Júnior (*)

Nas últimas décadas, o agronegócio tornou-se um dos pilares da economia brasileira, destacando-se pela produção em larga escala e pela relevância estratégica nas exportações globais. Com clima diversificado, vastas áreas cultiváveis, mão de obra qualificada, maior reserva de água doce subterrânea do planeta, e uma cadeia produtiva altamente tecnológica, o Brasil ocupa posição de destaque entre os maiores produtores mundiais de alimentos, como soja, café, açúcar e suco de laranja.

Além de gerar empregos e renda nas cinco regiões do país, o agronegócio contribui decisivamente para a segurança alimentar mundial, atendendo à crescente demanda por alimentos de qualidade nos cinco continentes. Os dados globais de produção e exportação refletem a competitividade do agronegócio brasileiro, consolidando sua imagem como uma potência do agronegócio mundial.

Produção e Exportação Brasileira de Alimentos no Mundo

A Tabela 1 apresenta o desempenho do Brasil no ranking mundial de produção e exportação de doze produtos do agro, evidenciando sua liderança nas exportações globais no ano de 2024:

Tabela 1. Ranking do Brasil na produção e exportação de alimentos no mundo em 2024
Produto Produção

Mundial

Exportação

Mundial

Participação nas

Exportações Globais

Suco de Laranja 74%
Soja 59%
Açúcar 56%
Carne de Frango 36%
Café 32%
Carne Bovina 31%
Fumo 31%
Algodão 29%
Celulose 28%
Milho 24%
Etanol 23%
Carne Suína 15%
Fontes: USDA, FAO, MAPA, Citrus BR e IBA.

O Brasil lidera com ampla vantagem o mercado global de suco de laranja concentrado e congelado, respondendo por 74% das exportações mundiais. A produção está fortemente concentrada no estado de São Paulo, que investe em tecnologias de extração, rastreabilidade e logística, com foco nos mercados norte-americano e europeu.

Na soja, o país é o maior  produtor e exportador  mundial, com destaque para Mato Grosso, que lidera em área cultivada e produtividade. O uso intensivo de biotecnologia e agricultura de precisão, aliado à expansão da segunda safra, garante competitividade frente à demanda asiática, especialmente da China.

O setor sucroenergético é referência internacional. O Brasil lidera na produção e exportação de açúcar, com a cana-de-açúcar cultivada de forma eficiente e sustentável. O bagaço é aproveitado para cogeração de energia, e São Paulo é o maior produtor nacional.

A carne de frango brasileira ocupa o primeiro lugar nas exportações globais, mesmo sendo o terceiro maior produtor mundial. O segmento é altamente mecanizado, com rigorosos controles sanitários e rastreabilidade. O estado do Paraná possui o maior rebanho de galináceos e é o principal exportador, com destaque para os mercados asiáticos.

O café é um dos produtos mais emblemáticos da agricultura desde o século XIX, quando se consolidou como uma das principais commodities agrícolas da economia brasileira. O país lidera tanto na produção quanto na exportação global, com destaque para os cafés especiais cultivados em Minas Gerais, responsável por cerca de 50% da produção nacional. A qualidade do café brasileiro é reconhecida mundialmente.

Na carne bovina, o Brasil é o segundo maior produtor e o principal exportador mundial. Os avanços em genética, confinamento e integração lavoura-pecuária aumentam a produtividade. O estado de Mato Grosso lidera em número de cabeças de gado, embora o setor enfrente desafios ambientais, especialmente no Pantanal.

A produção de fumo, concentrada no Sul do país, é marcada pela forte presença da agricultura familiar. O Rio Grande do Sul responde por 44% da produção nacional, e o Brasil lidera nas exportações de fumo em folha, com elevado padrão de qualidade e rastreabilidade.

O algodão, produzido principalmente em Mato Grosso (cerca de 70% da produção nacional), é altamente mecanizado e sustentável. O país se destaca por certificações internacionais e atende à crescente demanda asiática.

Na celulose, o Brasil é o segundo maior produtor e o maior exportador mundial. A produção é baseada em florestas plantadas de eucalipto e pinus, com alta produtividade e baixo impacto ambiental. O estado de Mato Grosso do Sul é o principal exportador nacional, abastecendo indústrias de papel e embalagens na Europa e Ásia.

O milho é essencial para a cadeia de ração animal e biocombustíveis. O Brasil ocupa a terceira posição na produção e a segunda na exportação mundial, com a segunda safra como diferencial competitivo. Mato Grosso é o líder absoluto na produção nacional de milho.

O etanol, produzido a partir da cana-de-açúcar, é reconhecido como biocombustível limpo e eficiente. O Brasil é o segundo maior produtor e exportador global, com tecnologia de ponta e matriz energética sustentável. São Paulo responde por mais de 50% da produção nacional.

Por fim, a carne suína brasileira vem ampliando sua presença no mercado internacional. O país é o quarto maior produtor e o terceiro maior exportador mundial, com foco em sanidade animal, bem-estar e rastreabilidade. Os principais destinos incluem China, Rússia e América Latina. Santa Catarina possui o maior rebanho suíno do Brasil.

Considerações Finais

Concluindo, o desempenho do agronegócio brasileiro em 2024, com exportações superiores a US$ 164 bilhões, e os resultados expressivos registrados nos primeiros quatro meses de 2025, que já somam US$ 52,7 bilhões, reafirmam o papel estratégico do Brasil como protagonista na segurança alimentar global.

A safra recorde de 350,2 milhões de toneladas de grãos na safra 2024/25, segundo os dados da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), evidencia também a robustez da produção nacional de grãos (soja, milho, algodão em pluma, arroz, feijão, trigo) e sua relevância nas exportações mundiais.

Essa liderança brasileira é sustentada por investimentos contínuos em tecnologia agropecuária, em especial a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) desde 1973, práticas sustentáveis, infraestrutura logística, lavoura mecanizada e políticas públicas assertivas e voltadas ao desenvolvimento rural, além da atuação decisiva do cooperativismo. O Brasil se destaca como grande produtor mundial, como também, elo fundamental na cadeia global de abastecimento de alimentos nos cinco continentes.

Vale destacar que, em 2024, as exportações do agronegócio mineiro superaram, pela primeira vez na história, o valor gerado pela mineração no estado de Minas Gerais. No mesmo ano, o agronegócio catarinense respondeu por 65% das exportações totais de Santa Catarina, alcançando US$ 7,57 bilhões.

Para que esse crescimento se mantenha duradouro, competitivo e sustentável nas próximas décadas, é fundamental que o avanço do setor esteja alinhado à preservação ambiental, à inclusão social, à modernização da armazenagem e à ampliação da conectividade no campo.

É importante lembrar que o agronegócio foi o principal vetor de crescimento econômico no primeiro trimestre de 2025, ao registrar uma expansão de 12,2% e contribuir com 1,4 ponto percentual para o avanço do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, conforme dados do IBGE.

Portanto, a adoção de atividades produtivas sustentáveis, preservando florestas e vegetações, e a valorização das comunidades rurais, são pilares para garantir que os benefícios do agronegócio alcancem tanto o mercado nacional quanto os mercados internacionais. Em síntese, o agro brasileiro é uma potência do agronegócio mundial.

(*) Paulo Galvão Júnior é economista paraibano, eleito Economista do Ano 2019 e Professor de Economia do Ano 2023 na Paraíba pelo CORECON-PB, conselheiro efetivo do CORECON-PB, diretor secretário do Fórum Celso Furtado de Desenvolvimento da Paraíba, apresentador do Programa Economia em Alta na rádio web Alta Potência e colunista na Revista NORDESTE (Brasil) e no Portal NORTH NEWS (Canadá). WhatsApp para entrevistas: +55 (83) 98122-7221.

(**) Os conteúdos dos colunistas publicados no site da Revista NORDESTE (RNE) são de inteira responsabilidade de seus autores

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Luciana Leão

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