Com mais de uma década de atuação, o ex sem-teto se firma como uma das principais vozes do modelo de governança sustentável no país
O pernambucano Cledson Bernardo, nascido em Garanhuns, superou a vulnerabilidade social para se tornar um dos principais nomes do ESG no Brasil. Ex-morador de rua em São Paulo, ele acumula quase 15 anos de atuação e já formou cerca de 500 lideranças em médias e grandes empresas do país.
Graduado em Engenharia Ambiental, com MBA em ESG pelo IBMEC e pós-graduações em Gestão de Recursos Humanos (FIA) e Engenharia de Segurança do Trabalho (Faculdades Oswaldo Cruz), Bernardo também é empresário, palestrante e apresentador do programa Atitude Sustentável S.A, na C3 TV.
Em 2013, fundou o Instituto Huma Atitude Social, por meio do qual desenvolve projetos de cultura corporativa, sustentabilidade e transformação organizacional. Sua atuação já recebeu prêmios como o Top of Business Nacional e o reconhecimento do Latin American Quality Institute. Empresários como Carlos Tilkian (Brinquedos Estrela) e Loredana Glasser destacam sua contribuição em mentorias.
“Seus altos e baixos o transformaram em alguém que não apenas compreende os desafios do mundo moderno, mas também encontra formas de superá-los”, afirma Tilkian.
A virada após o colapso
A trajetória de destaque de Cledson Bernardo sucedeu um período de forte vulnerabilidade. Em 2002, aos 22 anos, quando cursava Engenharia Ambiental e trabalhava na área administrativa da Intermédica Sistema de Saúde, ele sofreu um acidente de carro que comprometeu sua mobilidade. Sem conseguir manter o emprego nem pagar os estudos e o aluguel, acabou em situação de rua.
Durante seis meses, viveu dentro do próprio carro em diferentes regiões de São Paulo, enfrentando frio, medo e invisibilidade. Tomava banho em postos de gasolina e caminhava longas distâncias para se manter em movimento e em segurança.
Com ajuda de amigos, conseguiu alugar um pequeno quarto, além de um computador emprestado e um celular antigo. Foi com essa estrutura mínima que iniciou sua primeira microempresa, na área de segurança do trabalho, dando início à virada que marcaria sua trajetória profissional.
Método e resultados
Hoje, Cledson atende uma carteira de clientes que inclui indústrias, empresas de alimentação e de segurança privada. Sua consultoria combina diagnóstico cultural, capacitação de líderes, gestão por valores e uso de indicadores.
O método já mostrou impacto direto: em uma das empresas atendidas, o engajamento da liderança e a otimização da comunicação interna resultaram em aumento de 30% na captação de clientes, sem alterações em preços ou produtos.
“Esses ganhos só são possíveis quando se tem um objetivo claro e líderes engajados. Do contrário, as pessoas apenas executam tarefas de forma mecânica, sem gerar valor”, explica o líder em ESG.
ESG além do modismo
Para Cledson, o ESG deve ser tratado como estratégia e não como tendência passageira.
“Não adianta lançar ações de impacto se a governança não é ética ou se a alta gestão não percebe os benefícios dessa mudança. ESG verdadeiro começa nas relações e precisa ser visto como investimento, com retorno no médio e longo prazo”, avalia.
Ele destaca que resultados costumam aparecer a partir do sexto mês, em indicadores como redução de turnover, avanço nas metas ambientais e maior qualidade nas entregas. O desafio, segundo o consultor, é vencer a visão de que investir em pessoas significa apenas gerar custos.
“As empresas que enxergam talentos como ativos valiosos colhem sustentabilidade que se transforma em retorno”, conclui.
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