Apressado, Tarcísio queima etapas para ser candidato, por José Natal

Para alguns políticos veteranos, com mais tempo de estrada, o Governador de São Paulo, Tarcisio de Freitas, há tempos que está à beira de um precipício político, exagerando nas cenas explícitas de ações amadoras na busca de uma ribalta, que nunca apresentou credenciais para alcançar. Com as agressões ao Ministro Alexandre de Moraes e a toda a Corte Suprema, feita no último domingo em praça pública, ele deu o esperado passo à frente.



Um parêntese; para esses mesmos analistas, Tarcísio, içado a política pelas mãos maliciosas e interesseiras de Bolsonaro, na verdade, lembra muito aquelas pessoas desacostumadas a serem contrariadas. 



Quando isso acontece, elas esperneiam, gritam e ofendem aos mais próximos. Fato também, que Tarcísio parece ter deixado de lado, e desconsiderado, todo o seu passado discreto e eficiente, quando com competência, realizou um trabalho eficiente como Ministro do Governo do próprio Bolsonaro. 



Indicado, apoiado, assessorado e financiado pelo então presidente, alcançou expressiva votação e foi legalmente eleito Governador do maior estado brasileiro. Estado que não conhecia, pouco visitou, desconhece suas tradições e nem de longe tem por ele alguma simpatia. Em resumo, ali foi instalado e somente chegou lá por que teve um padrinho até então influente e poderoso. 



Alcançou popularidade participando de motociatas na garupa de Bolsonaro, circulando pelo interior do estado de São Paulo. Currículo que não enriquece carreira alguma, mas no seu caso isso valeu votos e a dignidade que se dane. O jornal britânico The Guardian, registrou essa proeza, abordando o assunto com uma ironia peculiar, como tinha que ser. 



Tarcisio nasceu no Rio de Janeiro, em junho de 1975, e já com meio século de vida parece que aprendeu pouco sobre as artimanhas e armadilhas que a ciência política exige, e cobra de quem a pratica. O desempenho que mais incentiva a queimar uma largada na carreira chama-se vaidade excessiva, cujo apelido é arrogância soberba. 



Todos esses ingredientes estão na mochila do Governador, que desde que assumiu o cargo mira uma disputa à presidência da república, mas sabe que no meio do caminho tem um Bolsonaro. Daí, um dilema atroz que, nos últimos tempos a cada dia muda de cenário.

    

 

Quem acompanha o processo sabe do que se trata, basta fazer um replay e ativar esses melhores momentos. Criticar, acusar e desacreditar a postura do Supremo Tribunal Federal, e seus ministros, a essa altura dos acontecimentos, nas rodas sociais pode até ter outro nome. 



Mas,cá entre  nós, é burrice mesmo. Revela um evidente descontrole emocional, escancara a incapacidade de conviver com os contrários e atesta uma fragilidade absoluta. Incapaz de esboçar minimamente argumentos com conteúdos jurídicos convincentes. Fosse um roteiro de filme, um título oportuno seria, quem sabe, ” te espero lá fora”. 



Causa espanto a postura deselegante, e bisonha, de Tarcísio de Freitas ao assistir passivamente uma multidão descontrolada, exibir uma bandeira dos Estados Unidos, ironizando a data de 7 de setembro, dia em que o País comemora aniversário de sua independência. Não se ouviu do Governador de São Paulo nenhuma declaração ou contestação, desaprovando essa agressão aos princípios da democracia brasileira. 



O mundo político, ou seja parlamentares, analistas e pesquisadores que acompanham a trajetória política e administrativa do Governador paulista,  acreditam ser uma estratégia suicida de um candidato a candidato, que insiste em afrontar e continuar sendo um subordinado a quem está sendo acusado de projetar um golpe de estado. 

     

 

A atitude do do Governador projeta, também, a inevitável suspeita de que todo esse arcabouço de campanha antecipada visa uma eloquente tomada de posição, na tentativa de consolidar alianças e escorraçar indecisos quanto à escolha de seu nome como candidato. 



A leitura inicial sobre essas atitudes desengonçadas de Tarcísio, parecem sinalizar que, mesmo inconsistente, finalmente o político rasga a fantasia, se apresenta para a disputa e elege o Presidente Lula como principal adversário. 



Com o julgamento de Bolsonaro e seus aliados em andamento, o gesto açodado do pretenso candidato apenas endossa o pensamento da maioria daqueles que o conhecem bem. Mistura vaidade pessoal com amadorismo político. Talvez uma dose elevada  de narcisismo. Ou coisa parecida. 

 

José Natal

Jornalista

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