Por Ana Júlia Silva e Luciana Leão
O Governo do Ceará publicou na quarta-feira (03), no Diário Oficial decreto que altera a Lei nº 19.384, de 7 de agosto de 2025, para mitigar os efeitos causados pela tarifa de 50% imposta pelo Governo dos Estados Unidos às exportações dos produtos brasileiros.
O Decreto Nº36.828 de 3 de setembro acrescenta um artigo que declara para fins legais situação de emergência à lei que implementa medidas para auxiliar os setores mais atingidos pelo tarifaço, vigente desde o mês de agosto deste ano.

Em nota ao site da revista NORDESTE, a Casa Civil disse:
“O decreto Nº 36.828, publicado no Diário Oficial da última quarta-feira (3), permite ao Governo do Estado a utilização de uma rubrica do orçamento prevista como reserva de contingência, específica para situações de emergência”.
Diz ainda a nota que o objetivo é viabilizar a execução das medidas de apoio às empresas atingidas pelo tarifaço dos EUA, garantindo, assim, a manutenção dos empregos dos cearenses.
Efeitos da alta tarifária no Ceará
O Ceará é o mais atingido pelo aumento tarifário imposto pelos EUA. A exportação do estado é altamente dependente do mercado estadunidense, que é responsável por 44,9% da pauta exportadora cearense, isso significa U$ 649,9 milhões em exportações atingidas.
Os setores mais relevantes foram, respectivamente, a metalurgia que movimentou U$ 441,3 milhões, alimentos (U$ 112,2 milhões, 17%) e couros e calçados (U$ 52,6 milhões, 8%), segundo análise para a revista NORDESTE, edição 223, dos economistas do IDENE, João Marques e Michel Teixeira.
Pelo Nordeste
Além do Ceará, outros estados também têm impacto em suas exportações.
Em seguida, destaca-se a Bahia, com um impacto de R$ 590,8 milhões, mesmo com 33% de suas exportações aos EUA amparadas por isenção.
O terceiro estado mais atingido foi Pernambuco, cujo impacto somou R$ 179,9 milhões, apesar de uma cobertura parcial de isenções (12,3%).
Estados como Alagoas (R$ 79,1 milhões) e Maranhão (R$ 68,4 milhões) também figuram na lista dos afetados, mas com impactos relativamente menores, explicados no caso maranhense por uma expressiva cobertura de isenções (90,9%), que atuou como importante fator de mitigação.
Por outro lado, segundo os economistas, o menor impacto absoluto foi registrado em Sergipe, com R$ 17,1 milhões, beneficiado por um nível elevado de isenção (69,2% de suas exportações aos EUA).
Conheça os estados MAIS AFETADOS
O ranking das unidades federativas mais afetadas pelo tarifaço, em valores absolutos, é o seguinte:
Ceará – R$ 649.958.870
Bahia – R$ 590.791.091
Pernambuco – R$ 179.998.678
Alagoas – R$ 79.176.654
Maranhão – R$ 68.410.840
Rio G. do Norte – R$ 60.124.387
Piauí – R$ 36.654.957
Paraíba – R$ 35.003.390
Sergipe – R$ 17.182.666

